Bloco Político

Samba da Reviravolta: O Desfile Eleitoral de Arnaldinho com Pazolini

Carnaval é alegria, / é folia e diversão, / mas o clima, quem diria, / este ano é de climão! // Um inesperado enredo, / carregado de tensão, / explodiu como um torpedo / bem no meio do Sambão!

Foto: Marcos Salles/PMV
Foto: Marcos Salles/PMV
Carnaval é alegria, 
é folia e diversão!
Mas o clima, quem diria,
este ano é de climão;
Um inesperado enredo,
carregado de tensão,
explodiu como um torpedo
bem no meio do Sambão;
Surpreendente aliança,
que produz grande mudança
no cortejo eleitoral,
fez primeira aparição
sob o olhar da multidão
e estupefação geral.

O ato exordial
da dupla formada agora
foi no marco inaugural
do Carnaval de Vitória:
o da entrega da chave
da cidade ao Rei Momo;
os dois chegaram com alarde
e todos ficaram: “Como?!?”
Desfilaram os dois alcaides
juntos na solenidade,
unidos no mesmo bloco;
Eu lhes digo e não minto:
até agora só acredito
porque vi tudo, in loco.

Logo no primeiro ato,
os chefes das duas cidades
causaram frisson, impacto
e até perplexidade,
sobretudo em Casagrande,
que soube ao mesmo tempo,
naquele exato instante,
com a torcida do Flamengo.
Exprimiu o seu semblante
a decepção flagrante
e grande constrangimento.
Situação bem vexatória
no Carnaval de Vitória
gravada naquele momento.

Aqui o protagonista,
sambando no miudinho,
n’é rainha nem passista,
é o prefeito Arnaldinho!
Sempre foi grande aliado
do Casão esteve junto.
Correndo lado a lado,
E tome convênio e recurso!
Mas agora, ao Pazola,
aliou a sua escola,
unidos no mesmo bloco;
Eu lhes digo e repito:
até agora só acredito
porque vi tudo, in loco.

Arnaldo mudou de rota.
Dizem que não quer cabresto!
O samba da reviravolta
tem, é claro, um contexto:
Queria ser o candidato
ao Governo do Estado
com o apoio do Renato,
mas este escolheu Ricardo!
Agora o cavalo de pau:
foi pular o Carnaval
com o prefeito Pazolini,
que é notório adversário
do governo nesse páreo;
foi jogar no outro time.

Aliás a inimizade
despontou da entrevista,
na “passagem da cidade”
ao Rei Momo com as passistas;
Em discurso eleitoral
(em hora e lugar errados),
o Pazola de “ancestral”
chamou o Casão, ao lado;
Sugeriu que os rivais
agora estão no passado
e que em outros carnavais,
no Governo do Estado,
em vez da “ancestralidade”,
estará a “modernidade”.

E não parou por aí:
foi um desfile completo!
Assim, nossa “Sapucaí”
viu da parceria o feto.
Atravessaram a avenida
com suas primeiras-damas,
a mesma camisa vestida
(só faltou o mesmo pijama!),
enquanto, por toda a “arena”,
soava, à boca pequena,
samba de Beth Carvalho:
“Vou festejar, vou festejar /
O teu sofrer / o teu penar”
(mas a outra parte, é claro…)
Compositor: Vitor Vogas
Agremiação: Acadêmicos da Coluna Vitor Vogas