EVANDRO MILET

A Evolução das Buscas e Compras na Internet: Do Google aos Agentes Autônomos 

No início dos anos 2000, o Google consolidou-se como a principal porta de entrada para a rede

Do Google aos Agentes Autônomos. Foto: Reprodução/IA
Do Google aos Agentes Autônomos. Foto: Reprodução/IA

Desde os primórdios da internet, a forma como buscamos informações e compramos produtos passou por transformações radicais. No início dos anos 2000, o Google consolidou-se como a principal porta de entrada para a rede. Seu algoritmo de busca eficiente tornou possível encontrar páginas, produtos e serviços com rapidez e os anunciantes perceberam que estar bem posicionado significava visibilidade e vendas. Assim nasceu um dos maiores mercados de publicidade digital: links patrocinados. 

Com o tempo, as buscas evoluíram de uma simples digitação de palavras-chave para consultas mais longas e específicas, impulsionadas não só por usuários mais experientes, mas também por mudanças nos algoritmos que valorizavam contexto e intenção. Paralelamente, o comportamento de compra se deslocou de lojas físicas para plataformas digitais. A Amazon liderou essa transformação, oferecendo não apenas um vasto catálogo, mas recomendações personalizadas baseadas em histórico, avaliações e comportamento de navegação. O ato de buscar e comprar começou a se fundir: pesquisar significava já estar propenso a comprar. 

Na última década, a chegada de assistentes virtuais e modelos de linguagem como o ChatGPT trouxe uma nova camada de interação. Em vez de apenas fornecer links, essas ferramentas respondem diretamente às perguntas, resumem informações e ajudam a decidir quais produtos, serviços ou conteúdos são mais relevantes. Essa mudança impacta profundamente as estratégias de publicidade: já não basta aparecer nos primeiros resultados de pesquisa, é necessário estar integrado nos fluxos de conversação e decisões que acontecem em plataformas de IA. 

O próximo passo nessa evolução são os agentes autônomos, sistemas que não só respondem a comandos, mas antecipam necessidades, executam tarefas em nome do usuário e efetuam compras com mínima intervenção humana. Imagine um assistente que sabe quando seus suprimentos estão acabando e automaticamente pesquisa, compara preços, usa cupons e finaliza a compra. Para as marcas, isso significa repensar como e onde investir verbas de publicidade: em vez de campanhas baseadas em buscas textuais, será necessário otimizar para integrações com APIs, fluxos de dados e respostas contextuais fornecidas por agentes que podem “escolher” um produto sem que o usuário digite sequer uma palavra. 

Um dos efeitos mais visíveis dessa evolução é a transição do teclado para a voz. Com smartphones e dispositivos conectados por toda parte, falar tornou-se a forma mais natural de interagir. Comandos de voz reduzem a barreira de entrada para buscas e compras, especialmente em contextos de mobilidade ou multitarefa. Essa mudança influenciou desde o design de interfaces até a forma como os anúncios são concebidos: agora, as marcas precisam ser encontráveis e atrativas não apenas em listas de resultados, mas em respostas verbais, em conversas com assistentes e em sugestões preditivas. 

As verbas de publicidade, portanto, estão em um momento de realocação e experimentação. Investimentos em links patrocinados tradicionais ainda existem, mas a maior parte das estratégias está migrando para formatos que dialogam com IA, incluindo anúncios de voz, parcerias com plataformas de recomendação e otimização para agentes

autônomos. Marcas que anteciparem essa transição terão vantagem competitiva: participarão das decisões de consumo no exato momento em que estas decisões acontecem, não mais apenas esperando que o usuário digite uma busca. 

Em suma, a jornada das buscas e compras online, de páginas listadas pelo Google, passando por marketplaces como Amazon, até interfaces conversacionais e agentes autônomos, reflete uma mudança profunda no comportamento do usuário e nas práticas de publicidade. O foco agora está na experiência, na personalização e na capacidade de estar presente em todos os pontos de interação, sejam por textos ou voz, guiados por inteligências cada vez mais ativas e sofisticadas.