medicamento experimental

Paciente tratado com polilaminina morre no ES

Laboratório afirma que óbito não tem relação com a substância, que ainda está em fase de pesquisa e não possui registro na Anvisa

polilaminina
Substância é produzida a partir da laminina, proteína isolada de placentas (Foto: Divulgação)

Um dos pacientes do Espírito Santo que recebeu aplicação de polilaminina após sofrer um acidente e perder os movimentos do corpo morreu. Além dele, outras duas mortes foram registradas no país nos últimos dez dias entre pessoas que também haviam recebido a substância.

Em nota, o laboratório Cristália, responsável pela pesquisa científica e pela produção da polilaminina, afirmou que as causas dos óbitos não têm relação com o medicamento e estariam associadas ao quadro clínico dos pacientes.

No caso do paciente capixaba, segundo o laboratório, a morte ocorreu no dia 28 de janeiro, em decorrência de uma embolia pulmonar. A empresa informou ainda que nenhuma das três vítimas havia recebido alta hospitalar e que todas apresentaram intercorrências médicas durante o período de internação.

Especialistas alertam que há riscos ao se submeter a procedimentos ainda em fase de estudos clínicos. Parte desses riscos pode ser desconhecida e identificada apenas ao longo do andamento das pesquisas. O laboratório e os pesquisadores envolvidos afirmam que, até o momento, com base nas informações disponíveis, não houve registro de efeitos colaterais marcantes relacionados à substância.

Pacientes com lesão medular podem perder parcial ou totalmente a sensibilidade e os movimentos do corpo, a depender da altura do trauma, além de apresentar comprometimento de funções fisiológicas.

O que é a polilaminina

A polilaminina é uma proteína sintética inspirada em componentes naturais da matriz extracelular — estrutura que dá suporte às células do corpo humano. Estudos experimentais indicam que a substância pode estimular a regeneração neural, favorecendo a reconexão de neurônios, especialmente em casos de lesão medular, como paraplegia e tetraplegia.

Apesar do potencial apontado por pesquisas iniciais, a polilaminina ainda não possui eficácia e segurança comprovadas em larga escala. O medicamento não tem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e, por isso, permanece restrito ao campo da pesquisa científica.

Uso autorizado apenas por decisão judicial

As aplicações realizadas no Espírito Santo ocorreram exclusivamente por meio de decisões judiciais, que autorizaram o uso excepcional da substância em situações específicas. Em todos os casos, o medicamento foi administrado pela própria equipe de pesquisadores, com acompanhamento médico.

A Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo (Sesa) informou que não há autorização para uso amplo da polilaminina no Sistema Único de Saúde (SUS), por se tratar de uma terapia ainda em fase de investigação.

*Com informações da Folha de S.Paulo.