On the road

Arnaldinho e Pazolini começam caravana eleitoral na terra de Casagrande

Depois de terem colocado o bloco na rua no Sambão, prefeitos de Vila Velha e de Vitória decidiram pôr o pé na estrada juntos. Nesta quinta-feira (12), começaram a percorrer o interior do Espírito Santo, em ritmo de pré-campanha. E o primeiro destino é de fazer cair o queixo

Depois de terem colocado o bloco na rua, na última sexta-feira (6), o prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB), e o de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), decidiram pôr o pé na estrada juntos. Nesta quinta-feira (12), começaram a percorrer o interior do Espírito Santo, em ritmo de pré-campanha. E logo na primeira noite da caravana, uma das primeiras paradas, escolhida a dedo, chama demais a atenção: a cidade de Castelo, no sul do Espírito Santo. Poderia até ser tomada por uma “pequena cidade qualquer”, não fosse por um motivo: é nada menos que a terra natal do governador Renato Casagrande (PSB).

Ao lado do deputado federal Evair de Melo (PP), um dos maiores críticos de Casagrande, Arnaldinho e Pazolini fizeram uma primeira parada em Venda Nova do Imigrante, reduto de Evair (foto acima). O roteiro da primeira noite também prevê uma breve parada em Conceição do Castelo e, finalmente, Castelo, onde devem ser recebidos pelo prefeito do município, João Paulo Silva Nali, filiado ao partido do prefeito de Vitória.

No início da noite, Pazolini e Arnaldinho postaram no Instagram um registro do início da caravana pré-eleitoral a dois, em Venda Nova.

Vale lembrar que tanto Pazolini como Arnaldinho são pré-candidatos a governador do Estado. Desde semana passada, os dois têm unido forças. O prefeito de Vila Velha, pelo menos até então, era considerado pelo Palácio Anchieta como aliado do governo Casagrande, ao contrário de Pazolini – sempre posicionado como um adversário.

De imediato, o novo passo da estratégia nos leva a três considerações:

1. A escolha nada aleatória da cidade de Castelo como um dos destinos inaugurais pode ser interpretada como uma provocação direta a Casagrande (por parte de ambos) e como uma resposta (principalmente, de Arnaldinho) à reação de casagrandistas, ao longo da semana, à aproximação ostensiva dos dois prefeitos.

Desde o último sábado (7), representantes do governo – entre eles, o secretário de Saúde, Tyago Hoffmann (PSB) – criticaram publicamente o movimento de Arnaldinho em direção a Pazolini. Nas redes sociais, muito se falou em “ingratidão”, “infidelidade” e “traição”. Agora, veio a contrarreação.

2. Na última sexta-feira (6), o “desfile político” da nova dupla no Sambão do Povo; quatro dias depois, na terça-feira (10), Arnaldinho recebeu Pazolini em seu gabinete, na Prefeitura de Vila Velha, e os dois voltaram a postar juntos; agora, o “desfile em collab” passa a ser pelas estradas capixabas. Nitidamente, a estratégia deles para “impactar” tem método e é uma bomba de efeito escalonado: uma explosão hoje, outra depois de amanhã, e por aí vai…

3. A partir do momento em que põe o pé na estrada com Pazolini – com escala inicial, precisamente, nos domínios de Casagrande –, Arnaldinho triplica a aposta. Mais que isso: ao que tudo indica, ele acaba de ultrapassar, de verdade, o “ponto sem retorno”.

A aparição no Sambão do Povo “causou” muito, é claro; mas, depois que o bloco dos garis limpou a poeira da avenida, muitos levantaram a legítima dúvida: será que a aproximação de Arnaldinho com Pazolini seria para valer ou não teria passado de um grande blefe, para pressionar Casagrande a rever sua decisão de apoiar Ricardo Ferraço (MDB) em vez dele? Será que tudo não teria passado de um “amor de Carnaval” e, superado o primeiro impacto, Arnaldinho voltaria atrás?

Entre sábado e terça-feira, Tyago Hoffmann e o próprio Casagrande fizeram acenos, afirmando que a porta do seu grupo político seguia aberta para Arnaldinho, caso ele quisesse seguir como aliado, mas frisando que tal decisão dependia exclusivamente do prefeito de Vila Velha.

Aí veio o encontro com Pazolini na PMVV, na terça-feira, no qual Arnaldinho dobrou a aposta.

Agora, a visita em pré-campanha a Castelo, ao lado do maior adversário eleitoral do governo. O “tapa de luva” é tão explícito que, depois desse ato, dificilmente, haverá reconciliação possível.

Mas este é precisamente o ponto: depois dessa “declaração de guerra”, o próprio Arnaldinho transmite a mensagem de que não pretende mesmo retornar. Seu movimento eleitoral agora é mesmo ao lado de Pazolini. E o movimento é para valer.

O Castelo de cartas caiu…