Giro Político
Eleições 2026
Pelo timing do anúncio, migração de Rigoni do União Brasil para o PSB é ruim para o próprio movimento eleitoral do governo: sentindo-se desprestigiados, os líderes da Federação União Progressista ficam ainda mais à vontade para dialogar com forças adversárias. Nota de Marcelo Santos não deixa dúvida quanto a isso

O secretário estadual de Meio Ambiente, Felipe Rigoni, anunciou na manhã de quarta-feira (11) que decidiu trocar o União Brasil pelo PSB para ser candidato a deputado federal. O anúncio, principalmente pelo timing, caiu como uma bomba no União Brasil e no PP, partidos que formam a Federação União Progressista, e foi pessimamente recebido pelos respectivos líderes, Marcelo Santos e Josias da Vitória. Com o perdão do trocadilho, deixou muito ruim o ambiente dos representantes dessa federação com o governo Casagrande.
Pelo que apuramos, os líderes do União Progressista avaliam que a perda de Rigoni – justamente para o partido de Casagrande – prejudica as negociações da federação com o governo e a deixa um passo mais distante do palanque de Ricardo Ferraço (MDB) para governador, na medida em que representa um sinal de que o governo não está dando à federação o valor que lhe corresponde – proporcional à sua importância no tabuleiro de xadrez eleitoral.
Em outras palavras, a migração do secretário de Meio Ambiente de Casagrande, no momento em que é anunciada, é ruim para o próprio movimento eleitoral do governo, pois, sentindo-se desprestigiados, os líderes da federação se sentem ainda mais à vontade para dialogar com forças adversárias.
A nota oficial de Marcelo Santos, emitida à noite, não deixa dúvidas quanto a isso: “O União Brasil no Espírito Santo acompanha com atenção o movimento de desfiliação anunciado. A política é construída a partir de sinais, gestos e, sobretudo, do compromisso coletivo com projetos maiores. A decisão não foi bem recebida nas fileiras do União Brasil nem no âmbito da Federação”, declarou o presidente estadual do União Brasil.
Apuramos que esse é o sentimento partilhado por Da Vitória, presidente estadual do PP e da federação.
A nota oficial de Marcelo é um tremendo recado para Casagrande e Ricardo Ferraço. “O compromisso coletivo com projetos maiores” diz respeito à eleição majoritária no Espírito Santo: a disputa para senadores e, destacadamente, para governador. Casagrande é provável candidato a senador, enquanto Ricardo é o nome do governo na corrida ao Palácio Anchieta.
Marcelo Santos e Da Vitória queriam a permanência de Rigoni na chapa da Federação União Progressista à Câmara dos Deputados, para ajudar na eleição deles mesmos. Esperavam a intervenção de Casagrande nesse sentido junto ao seu secretário. Consideram a ajuda do governo na construção dessa chapa um fator determinante para a federação manter ou não o apoio a Ricardo Ferraço a governador.
Como analisamos aqui horas antes do anúncio de Rigoni, num jogo eleitoral equilibrado como o que se desenha neste momento na disputa pelo Governo do Estado, a Federação União Progressista pode ser o fiel da balança. Nenhum partido ou federação é mais cobiçado por pré-candidatos a governador; nenhum pode fazer maior diferença em um palanque majoritário. Por seu precioso tempo de propaganda eleitoral e por seus valiosos recursos para financiamento de campanha – frutos dos seus mais de 100 deputados federais –, todos querem fechar aliança com a chamada “superfederação”.
Ora, em “circunstâncias normais”, isto é, antes do bater de asas de Arnaldinho (PSDB) para o lado de Pazolini (Republicanos), o Palácio Anchieta não poderia se permitir, de modo algum, perder o União Progressista para a coligação a ser provavelmente encabeçada pelo prefeito de Vitória. Agora, pode menos ainda.
Se Arnaldinho efetivamente ficar ao lado de Pazolini durante o processo eleitoral, o jogo no Espírito Santo, em tese, fica muito mais equilibrado. Mas, se o União Brasil migrar para a coligação de Pazolini – e se tal coligação ainda contar com o apoio e até com a presença de Arnaldinho –, aí o jogo começa a ficar muito favorável para o prefeito de Vitória, e o Palácio Anchieta pode começar a ver o projeto sucessório desandar.
Repetimos: o que é que os líderes da Federação União Progressista mais desejam e mais necessitam, como condição sine qua non para fecharem apoio definitivo a qualquer candidato a governador? Resposta simples: ajuda na montagem da chapa da federação para eleger deputados federais.
A nota de Marcelo Santos é muito importante. Tem peso. É Marcelo dizendo a Casagrande (em nossa livre tradução): “Vacilou, governador… Não estamos nos sentindo contemplados. A ajuda esperada não está vindo… E isso nos dá muito o que pensar”.
Em tempo: no último sábado (7), menos de 24 horas após o desfile de Arnaldinho com Pazolini no Sambão do Povo, Da Vitória encontrou-se pessoalmente com Erick Musso, presidente estadual do Republicanos e articulador da pré-candidatura do prefeito de Vitória ao Palácio Anchieta. Não há registros dessa reunião. Mas, que ocorreu, ocorreu.
E Arnaldinho, hein… Além de ter levado o troféu no quesito “desfile mais impactante” no Sambão do Povo, o prefeito foi pé quente na folia: a Mocidade Unida da Glória (MUG), escola de Arnaldinho e a única de Vila Velha no Grupo Especial, sagrou-se campeã do Carnaval de Vitória pela décima vez.

Pode-se dizer que Pazolini também tenha dado sorte. Durante o desfile da MUG, ficou o tempo todo ao lado de Arnaldinho, ambos trajando uma camisa da diretoria da escola de samba… E o número de conquistas da MUG é o mesmo do partido do prefeito de Vitória.