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Tradição
Tradição que atravessa gerações toma as ruas da cidade e reafirma Muqui como referência da cultura popular capixaba
Escrito por Redação em 09 de fevereiro de 2026
Em meio aos carnavais de trio elétrico e grandes estruturas, Muqui segue na contramão e aposta no que tem de mais autêntico. Em 2026, o Carnaval do Boi Pintadinho volta a ocupar as ruas do município entre quinta-feira (13) e terça-feira (17), reunindo 22 grupos e transformando a cidade em um grande palco de cultura popular, memória coletiva e participação comunitária.
Reconhecida oficialmente como Patrimônio Cultural do município, a festa é hoje o principal símbolo da identidade muquiense e uma das manifestações mais singulares do carnaval capixaba. Mais do que um evento, o Boi Pintadinho representa a forma como a cidade preserva sua história e mantém viva uma tradição construída ao longo de décadas.
A brincadeira do boi tem origem nos folguedos populares brasileiros, formados a partir da mistura de influências indígenas, africanas e europeias trazidas ao Brasil durante o período colonial. No país, manifestações como o Bumba Meu Boi já animavam comunidades desde o século XIX, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.
Em Muqui, a tradição aparece por volta da década de 1940. No início, os bois circulavam apenas pelas áreas rurais e estavam ligados às Folias de Reis, realizadas entre o Natal e o mês de janeiro. Com o tempo, a manifestação ganhou força e passou a dialogar com o cotidiano da cidade.
A virada acontece na década de 1970, quando o Boi Pintadinho passa a integrar o carnaval de rua. Nesse processo, o Boi do Bijoca teve papel decisivo ao levar a tradição para o centro da folia. Um registro de 1974 do jornal O Município já anunciava a “tradicional participação do Boi Pintadinho e suas mulinhas” no carnaval local, considerada a primeira referência documentada da manifestação no contexto carnavalesco de Muqui.
Até os anos 1980, os carnavais de salão e os ranchos ainda dividiam espaço com o boi. No entanto, a partir da década de 1990, o Boi Pintadinho se consolidou como protagonista absoluto da festa, passando a ocupar lugar central na vida cultural e afetiva da população.
Hoje, Muqui conta com 22 grupos de Bois Pintadinhos, incluindo dois grupos de Vacas. Entre eles está a tradicional Vaca Mocha, formada exclusivamente por mulheres. A festa também inclui os Bois Mirins, voltados ao público infantil, e os Jaguarás, que ampliam a diversidade dos cortejos.
Durante o carnaval, os bois, confeccionados artesanalmente com madeira, tecidos coloridos e pinturas marcantes, percorrem as ruas históricas acompanhados por músicos, foliões e personagens tradicionais. Marchinhas, cantigas populares e ritmos regionais conduzem os desfiles, enquanto moradores e visitantes participam da brincadeira de forma direta e espontânea.

O que diferencia o Carnaval do Boi Pintadinho é o caráter coletivo. Famílias inteiras se envolvem na confecção dos bois, na organização dos grupos e na transmissão dos saberes culturais. A tradição passa de geração em geração e se mantém viva justamente por fazer parte do cotidiano da cidade.
Além do valor simbólico, a festa também se afirma como atrativo turístico. Visitantes buscam em Muqui uma experiência cultural autêntica, longe dos grandes centros e dos formatos padronizados de carnaval. O evento movimenta a economia local, valoriza o artesanato e a culinária típica e fortalece o turismo cultural no interior do Espírito Santo.
Realizado com recursos da Lei de Incentivo à Cultura Capixaba, da Secretaria da Cultura, o Carnaval do Boi Pintadinho reafirma Muqui como um dos principais guardiões da cultura popular capixaba e mostra que tradição, quando bem cuidada, segue atual, viva e capaz de mobilizar toda uma cidade.
SEXTA – 13 DE FEVEREIRO
19h – Abertura
19h20 – Bloco Carrinho de Mão
20h – Boi Furioso
20h40 – Boi Fortunato
21h20 – Formiguinha
22h – Vaca Furiosa
22h40 – Boi Duas Cabeças
23h20 – Boi Amigo
00h – Boi Cycloninho
00h40 – Boi Chapado
01h20 – Boi Guerreirinho
02h – Boi Cyclone
SÁBADO – 14 DE FEVEREIRO
17h – Painel Entre Ritos e Raízes: a cultura popular no interior
18h – Pagode do Juninho
19h – Boi Chapadinho
19h40 – Boi Formigão
20h20 – Boi Cycloninho
21h – Boi Duas Cabeças
21h40 – Boi Xodó
22h20 – Boi Sumidouro
23h – Boi Cyclone
23h40 – Boi Az de Ouro
00h20 – Boi Tornado
00h40 – Boi Chapado
01h20 – Boi Bijoca
02h – Boi Tsunami
DOMINGO – 15 DE FEVEREIRO
17h – Matinê (Xodozinho e Furioso) e DJ Teco
18h – Bloco do Loró
18h30 – Bloco das Piranhas
19h – Guerreirinho
19h40 – Boi Formigão
20h20 – Boi Amigo
21h – Boi Gaspar
21h40 – Vaca Mocha
22h20 – Boi Tornado
23h – Boi do Bijoca
23h40 – Boi Tsunami
00h20 – Boi Sumidouro
00h40 – Boi Xodó
01h20 – Boi Chapado
SEGUNDA – 16 DE FEVEREIRO
19h20 – Boi Fortunato
20h40 – Boi Gaspar
21h20 – Boi Xodó
22h – Boi Cyclone
22h40 – Boi Danado
23h20 – Boi Tornado
00h – Boi Az de Ouro
00h40 – Vaca Furiosa
01h20 – Boi Duas Cabeças
02h – Boi Chapado
TERÇA – 17 DE FEVEREIRO
18h – Boi Chapadinho
18h40 – Jaguará
19h20 – Boi Xodozinho
20h – Boi Amigo
20h40 – Vaca Mocha
21h20 – Boi Danado
22h – Vaca Furiosa
22h40 – Boi Bijoca
23h20 – Boi Tsunami
00h – Boi Guerreirinho
00h40 – Boi Formiguinha