Verde e rosa de Santa Martha
Carnaval de Vitória
As escolas levaram enredos que passearam pela ancestralidade, força feminina, religiosidade, cultura popular e pelas histórias que moldam o ES
Escrito por Redação em 08 de fevereiro de 2026
O Sambão do Povo foi tomado por emoção, criatividade e identidade capixaba na sexta e no sábado de desfiles do Carnaval de Vitória. Ao todo, dez escolas de samba transformaram a avenida em um grande espetáculo a céu aberto, reunindo enredos que passearam pela ancestralidade, pela força feminina, pela religiosidade, pela cultura popular e pelas histórias que moldam o Espírito Santo. Mesmo diante de desafios técnicos, o brilho das comunidades falou mais alto, com apresentações marcadas por luxo, cores, batuques potentes e narrativas que dialogaram com passado, presente e resistência. Nesta reportagem especial, você confere o resumo de cada desfile e a galeria completa de fotos das escolas que fizeram história na Passarela do Samba em 2026.
A primeira escola a desfilar no Sambão do Povo nesta sexta-feira (6) foi o Grêmio Recreativo Escola de Samba Pega no Samba, que abriu oficialmente o Carnaval de Vitória 2026, às 22h em ponto.
A escola do bairro Consolação, na capital, levou para a avenida o enredo “Okê Caboclo Sete Flechas – Guardião Ancestral da Natureza”, contando a trajetória da entidade conhecida como o rei da mata, curandeiro e guardião das florestas.
O desfile, com duração de 61 minutos, destacou a ancestralidade indígena, a força da natureza e a importância do equilíbrio entre o ser humano e o meio ambiente.
A segunda escola a desfilar no Sambão do Povo nesta sexta-feira (6) foi a Novo Império, agremiação da Grande Santo Antônio, em Vitória.
Com o enredo “Aruanayê – Guardiãs dos Mistérios Ancestrais”, a escola levou à avenida uma narrativa simbólica que celebra a conexão entre xamãs africanas e guerreiras indígenas, retratadas como guardiãs do saber ancestral.
A passagem da agremiação foi marcada por um problema técnico no sistema de som, mas isso não desanimou os integrantes e nem o público, que sustentou no “gogó” e cantou alto, incentivando a escola.
Com o enredo “Arreda, homem, que aí vem mulher”, a Unidos de Jucutuquara pediu passagem no Sambão do Povo e foi a terceira escola a desfilar nesta sexta-feira (6).
Uma das agremiações mais tradicionais e vitoriosas da capital Capixaba, a Jucutuquara levou para a avenida uma narrativa potente, centrada na figura de Maria Padilha, entidade das tradições afro-brasileiras cultuada como pombagira das encruzilhadas.
O desfile propôs uma reflexão sobre o poder feminino, valorizando mulheres que rompem silêncios, ocupam espaços e constroem suas próprias trajetórias.
De olho no 10º título no grupo especial, a Mocidade Unida da Glória (MUG) sacudiu o Sambão do Povo nesta sexta-feira (6) com o enredo “O Diário Verde de Teresa”, inspirado no livro Viagem ao Espírito Santo – 1888.
A escola contou a passagem da princesa e cientista Teresa da Baviera pelo Estado, destacando sua curiosidade científica e amor pela natureza. A musa inspiradora da Mocidade veio representada na comissão de frente, com coreografia especial.
A escola de Vila Velha apresentou um Espírito Santo exuberante, diverso e pulsante, convidando o público a refletir sobre identidade, território e sustentabilidade.
Encerrando a primeira noite do Carnaval Capixaba, a Imperatriz do Forte levou para o Sambão do Povo o enredo “Xirê: Festejo às Raízes”, uma celebração da riqueza dos rituais, da ancestralidade e da diversidade das matrizes africanas presentes na formação cultural brasileira.
Por volta das 4h, a escola entrou na avenida destacando a dança de roda como expressão do sagrado em movimento, espaço de memória, saber e resistência.
O conjunto apresentado ao longo da avenida exaltou a espiritualidade e a potência cultural dos povos africanos e afro-brasileiros, ressignificando o passado e reafirmando a cultura negra como força viva e estruturante da identidade nacional.
Abrindo o segundo dia de desfiles das escolas de samba do Grupo Especial do Carnaval de Vitória, a Rosas de Ouro fez o rio Cricaré desaguar no Sambão do Povo neste sábado (7). Em um desfile impactante, a escola mostrou que tem potencial para brigar junto com as gigantes pelas primeiras posições da folia capixaba.
Com o enredo “Cricaré das Origens – Brasil que nasce em São Mateus”, a escola homenageou o município do Norte do Espírito Santo, destacando as culturas afro-brasileira e indígena que compõem a identidade mateense. A narrativa exaltou a ancestralidade, a fé e a resistência presentes na formação histórica da região.
A escola enfrentou problemas no início do desfile com o carro abre-alas, que acabou deixando um espaçamento entre os setores. A falha pode gerar descontos para escola na apuração.
Segunda escola a entrar na avenida neste sábado (7), a Unidos da Piedade teve o desfile atrasado em cerca de 40 minutos devido a um problema na sonorização do Sambão do Povo. Após o período de espera para a troca do equipamento, a agremiação retomou sua apresentação a partir do minuto 15 no cronômetro oficial.
Com uma homenagem vibrante a um dos maiores nomes da escola e do carnaval capixaba, a Unidos da Piedade emocionou o público ao contar a trajetória de Edson “Papo Furado”.
O enredo “O Canto Livre de Papo Furado” exaltou a vida e a obra do intérprete, entrelaçando sua história à própria identidade da agremiação, que tem no Morro da Piedade a sua casa e levou o público para “pertinho do céu”.
Sinal verde para a atual campeã do Carnaval de Vitória! A Independente de Boa Vista levantou o público no Sambão do Povo com uma mistura contagiante de congo e samba, apresentando o enredo “João do Congo – A voz que dança nas folhas da resistência”.
Exaltando o ritmo que é uma das matrizes fundamentais da identidade cultural do Espírito Santo, a escola de Cariacica contou a história de João Bananeira, também conhecido como João Congo, mascarado que se vestia com folhas de bananeira na zona rural de Roda d’Água durante a escravidão, para se misturar às festas dos brancos sem ser reconhecido.
Mais do que uma manifestação folclórica, o congo foi apresentado como um sistema vivo de memória, fé e resistência, transmitido por gerações e mantido pela prática cotidiana das comunidades.
Sinal verde para a comunidade de Goiabeiras. A quarta escola a desfilar neste sábado (7) no Sambão do Povo foi a Chegou o Que Faltava, que apresentou um enredo carregado de simbolismo e reflexão: “Orí – Sua cabeça é seu guia”.
Na tradição iorubá, Orí significa “cabeça” e representa a divindade pessoal de cada indivíduo — um guia interior ligado à memória, à intuição e às escolhas ao longo da vida. Cabeças adornadas com cores vibrantes passaram pela avenida, enquanto alas exibiam enfeites com laços, penas e máscaras.
Para contar essa história, a Chegou o Que Faltava colocou na avenida 1.400 componentes, distribuídos em 19 alas, além de três carros alegóricos e um tripé.
O dia já estava claro quando a escola pediu passagem no Sambão do Povo, mas isso não desanimou os integrantes e muito menos público que ficou até o fim para curtir o desfile.
A primeira ala surgiu colorindo a avenida, representando os signos do zodíaco. Logo atrás, esbanjando simpatia, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira trouxeram nas fantasias a naja, símbolo da escola, que também foi representada no carro abre-alas.
Simbolizando as origens no futebol de várzea, a Bateria Puro Veneno sacudiu o público.