Fotos da MUG
Carnaval 2026
Luxo, fé e resistência: as cinco escolas da 1ª noite em Vitória
Veja um resumo da primeira noite dos desfiles do grupo especial do Carnaval de Vitória
Escrito por Joao Victor Bassini em 07 de fevereiro de 2026
A primeira noite do Carnaval de Vitória mostrou por que a avenida é território de emoção, fé e resistência. Cinco escolas deram início aos desfiles com enredos que cruzaram história, religiosidade, poder feminino e ancestralidade, além de superação diante dos imprevistos. Do luxo da MUG à força simbólica da Imperatriz do Forte, passando pela irreverência da Jucutuquara, pela garra da Novo Império e pela abertura vibrante da Pega no Samba, o Sambão do Povo viveu uma estreia marcada por diversidade estética, mensagens fortes e muito samba no pé.
Pega no Samba abre o Carnaval de Vitória e leva o ‘rei da mata’ para a avenida
A primeira escola a desfilar no Sambão do Povo nesta sexta-feira (6) foi o Grêmio Recreativo Escola de Samba Pega no Samba, que abriu oficialmente o Carnaval de Vitória 2026, às 22h em ponto.
A escola do bairro Consolação, na capital, levou para a avenida o enredo “Okê Caboclo Sete Flechas – Guardião Ancestral da Natureza”, contando a trajetória da entidade conhecida como o rei da mata, curandeiro e guardião das florestas.
O desfile, com duração de 61 minutos, destacou a ancestralidade indígena, a força da natureza e a importância do equilíbrio entre o ser humano e o meio ambiente.
A comissão de frente apresentou uma coreografia inspirada em indígenas, com figurinos nas cores vermelho e laranja. Já o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira brilhou na avenida com fantasias em tons de azul e dourado.

Muita cor e brilho na avenida
As alas, que representaram a fauna e a flora, desfilaram em tons de azul, rosa, roxo e verde. Os carros alegóricos, ricos em detalhes, marcaram a apresentação e reforçaram a proposta de levar o público a um mergulho nas florestas e na riqueza da natureza, retratada por animais, plantas e elementos naturais. Vestidas de vermelho e azul, cores das araras, as passistas deram um show de simpatia na avenida.

Ao todo, a Pega no Samba levou 1.400 componentes para o desfile, organizados em 20 alas, além de três carros alegóricos e um tripé.
A bateria Locomotiva, comandada pelos mestres Leandrinho e Neném, animou arquibancadas e camarotes. À frente dos ritmistas, a rainha de bateria Ana Pent’z chamou atenção com uma fantasia deslumbrante em vermelho, enquanto o rei de bateria, Alessander Constantino, vestindo um tom de verde vivo, mostrou muito samba no pé.
Novo Império sustenta desfile mesmo com problemas no som
A segunda escola a desfilar no Sambão do Povo nesta sexta-feira (6) foi a Novo Império, agremiação da Grande Santo Antônio, em Vitória. Com o enredo “Aruanayê – Guardiãs dos Mistérios Ancestrais”, a escola levou à avenida uma narrativa simbólica que celebra a conexão entre xamãs africanas e guerreiras indígenas, retratadas como guardiãs do saber ancestral.

A passagem da agremiação foi marcada por um problema técnico no sistema de som, mas isso não desanimou os integrantes e nem o público, que sustentou no “gogó” e cantou alto, incentivando a escola.
Neste ano, a Azul, Branco e Rosa contou com 1.500 integrantes, distribuídos em 20 alas, além de três carros alegóricos e um tripé, enchendo a avenida de cores, movimento e brilho.
Os carros vieram para o Sambão grandes, com movimento e efeitos especiais. Alas coreografadas deixaram a passagem da escola ainda mais empolgante.
O segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira deu um show de simpatia e desfilou com uma fantasia luxuosa, colorida e rica em pedrarias.

Destaque para a força feminina e a natureza
O desfile, assinado pelo carnavalesco Osvaldo Garcia, destacou a força feminina, a natureza e a lua cheia, além do respeito às tradições, ressaltando o papel da mulher na preservação da espiritualidade e da memória dos povos originários.
A bateria, comandada pelo mestre Vinicius Seabra, sacudiu a família imperiana e contagiou o público com ritmo e energia.

Jucutuquara exalta Maria Padilha entre gargalhadas e poder feminino
Com o enredo “Arreda, homem, que aí vem mulher”, a Unidos de Jucutuquara pediu passagem no Sambão do Povo e foi a terceira escola a desfilar nesta sexta-feira (6).
Uma das agremiações mais tradicionais e vitoriosas do Carnaval Capixaba, a Jucutuquara levou para a avenida uma narrativa potente, centrada na figura de Maria Padilha, entidade das tradições afro-brasileiras cultuada como pombagira das encruzilhadas.
A apresentação exaltou Maria Padilha como uma força ancestral que atravessa tempos, territórios e imaginários, conectando espiritualidade, cultura popular e memória coletiva. O desfile também propôs uma reflexão sobre o poder feminino, valorizando mulheres que rompem silêncios, ocupam espaços e constroem suas próprias trajetórias.

Com fantasias em preto e vermelho, a comissão de frente marcou a entrada da escola na avenida com uma coreografia vibrante e muitas gargalhadas.
A coruja, símbolo da agremiação, esteve presente na primeira alegoria, com movimentos na cabeça e nas asas, chamando a atenção pela riqueza de detalhes.

Em forte contraste de preto e vermelho, as alas reforçaram a identidade visual da escola e deram o tom do desfile.
Inspirado no jogo de cartas do cabaré Jucutuquara, o segundo carro alegórico, em tons de dourado e vermelho, trouxe odaras com saias rodadas e flutuantes, acrescentando leveza e encantamento à apresentação.

Já o terceiro carro destacou o Galo da Meia-Noite e apresentou frases em defesa do combate à intolerância religiosa. À frente da bateria Nação, a rainha Fernanda Passon deslumbrou o público em uma fantasia com rosas e plumas pretas.

Neste ano, a Jucutuquara levou para a avenida 1.400 componentes, distribuídos em 19 alas, além de três carros alegóricos e um tripé, enchendo o Sambão do Povo de cores, movimento e brilho.

MUG celebra o legado de Teresa da Baviera em desfile luxuoso
De olho no 10º título no grupo especial, a Mocidade Unida da Glória (MUG) sacudiu o Sambão do Povo nesta sexta-feira (6) com o enredo “O Diário Verde de Teresa”, inspirado no livro Viagem ao Espírito Santo – 1888.
A escola contou a passagem da princesa e cientista Teresa da Baviera pelo Estado, destacando sua curiosidade científica e amor pela natureza. A musa inspiradora da Mocidade veio representada na comissão de frente, com coregografia especial.

Luxo e criatividade na avenida
Assinado pelo carnavalesco Petterson Alves, o desfile trouxe figurinos luxuosos, carros alegóricos gigantes e uma estética impressionante, transformando o Sambão do Povo em uma celebração da biodiversidade capixaba.

Carros com movimentos e efeitos especiais encantaram o público! Fantasias com muitas plumas, pedrarias e até luzes de LED chamaram atenção.

A escola apresentou um Espírito Santo exuberante, diverso e pulsante, convidando o público a refletir sobre identidade, território e sustentabilidade.
À frente da bateria, a rainha Layla Bastos encantou o público, comandando os ritmistas e elevando ainda mais a energia da Mocidade na avenida.

A cantora Andrea Nery também marcou presença, soltando a voz e dando show de simpatia.

A MUG se despediu da avenida com gritos de “É campeã”, vindos da arquibancada. Será que vem aí mais um título para o Leão da Glória?
