Reviravolta
Eleição para o Senado
Deputado declarou que ele e Magno estão em diálogo estreito sobre o processo eleitoral e que existe a possibilidade de ele vir candidato a senador pelo PL, no lugar de Maguinha Malta

O senador Magno Malta (PL) desmentiu declarações dadas pelo deputado federal Evair de Melo (PP), em entrevista publicada aqui na última quarta-feira (4): “Não corresponde à verdade. Maguinha é a candidata”.
Em entrevista à coluna, Evair afirmou que ele e Magno estão em diálogo estreito sobre o processo eleitoral e que existe a possibilidade de ele vir candidato a senador pelo PL, no lugar de Maguinha Malta. Uma das filhas do próprio Magno, a publicitária é, desde abril do ano passado, a pré-candidata do PL ao Senado pelo Espírito Santo, em nome do pai (e, segundo ela mesma, de Deus). Mas Evair acredita que isso ainda possa mudar.
O deputado também se declarou igualmente disposto a apoiar a candidatura de Maguinha. Para Evair, o mais importante é que a direita no Espírito Santo unifique forças e lance um só representante na disputa por uma das duas vagas em aberto no Senado. Segundo Evair, ele e Magno têm conversado sobre essa ideia estratégica de unificação das candidaturas, para evitar que a esquerda saia fortalecida.
Ainda de acordo com Evair, um dos vice-líderes do governo na Câmara durante a presidência de Jair Bolsonaro (PL), ele também pode ser candidato a senador pelo seu atual partido, o Progressistas (PP), principalmente se a Federação União Progressista ficar com o PL no plano nacional e indicar o vice do senador Flávio Bolsonaro na disputa presidencial.
Por meio de nota, Magno desmentiu categoricamente as declarações do deputado:
Mesmo alguns agentes do PL, reservadamente, têm dúvidas quanto à competitividade de Maguinha. Acreditam que a filha de Magno tenha “teto eleitoral baixo” e que, por isso, seria mais interessante o lançamento de outro candidato ao Senado, já testado nas urnas, como Evair.
Em teoria, se o deputado bolsonarista concorresse ao Senado pelo PL, Maguinha seria reacomodada na chapa do partido à Câmara dos Deputados. No Espírito Santo, uma chapa completa à Câmara precisa ter 11 candidatos, incluindo pelo menos quatro mulheres. A chapa do PL, hoje, encontra-se claudicante: tem o deputado estadual Lucas Polese, e não vai muito além disso.
Uma das principais apostas do PL-ES, o atual deputado Gilvan da Federal, pré-candidato à reeleição, corre o sério risco de não poder disputar o pleito (para cargo algum), desfalcando a chapa. Hoje, basicamente, Gilvan está inelegível, em virtude da Lei da Ficha Limpa. O deputado sofreu condenação, confirmada por órgão colegiado, no âmbito da Justiça Eleitoral.
No ano passado, o TRE-ES confirmou sua condenação pelo crime de violência política de gênero, em ação movida pela deputada estadual Camila Valadão (PSol), por fatos que remontam a 2021, quando ambos eram vereadores de Vitória. Se não conseguir reverter a sentença no TSE ou obter uma liminar, Gilvan fatalmente terá o registro de candidatura negado pelo TRE-ES, em agosto.
Além disso, o PL-ES, no momento, carece de mulheres para cumprir a cota de gênero imposta pela legislação eleitoral. Eventual “descida” de Maguinha para a chapa de federais ajudaria o partido a equacionar também essa questão. Botando todo o seu peso político a favor da própria filha (com o número de urna 2222, usado por Gilvan em 2022), Magno teria chances reais de ver Maguinha sendo eleita para a Câmara e indo lhe fazer companhia no Congresso Nacional.
Isso tudo é um raciocínio teórico. No momento, como não deixa dúvida a nota do senador, o fato concreto é: Magno está irredutível. Não abre mão de manter a candidatura de sua herdeira a senadora, a qual, como ele afirma, é “inegociável”.
Enquanto isso, por influência direta do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato do PL à Presidência, ganha força no partido a ideia de lançamento de uma chapa majoritária puro-sangue no maior número possível de estados, incluindo o Espírito Santo.
Assim, aumentam as probabilidades de o PL, no Estado, ter pai e filha na mesma chapa: Magno candidato a governador e Maguinha, a senadora – além da possibilidade de um candidato a vice-governador do mesmo partido.