Reviravolta

Flávio Bolsonaro quer Magno Malta candidato a governador do ES

Assessoria de Magno confirma: “Caso o convite de Flávio se concretize, ele estará pronto para aceitar”. Coluna analisa o movimento, que distancia o PL de Pazolini

Flávio Bolsonaro com Magno Malta, em Vitória. Foto: assessoria do PL-ES
Flávio Bolsonaro com Magno Malta, em Vitória (22/12/2025). Foto: assessoria PL-ES

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, quer que o senador Magno Malta seja candidato a governador do Espírito Santo pelo Partido Liberal (PL). A informação foi publicada nesta quinta-feira (5) pelo jornal O Globo e confirmada à coluna pela assessoria de Magno, presidente do PL no Estado.

Sim, caso o convite de Flávio Bolsonaro se concretize, ele estará pronto para aceitar. Inclusive, o senador aguarda o retorno de Flávio Bolsonaro, que está em viagem, para que possam conversar sobre essa questão no Espírito Santo.

De acordo com a publicação de O Globo, Magno é “o nome defendido por Flávio” para o Governo do Espírito Santo”. Assinada por Vera Magalhães, Rafaela Gama e Caio Sartori, a reportagem também informa que o primogênito de Jair Bolsonaro está interferindo diretamente nas definições eleitorais do PL em alguns estados (incluindo o Espírito Santo), de modo a lançar candidatos próprios a governador no maior número possível de unidades da federação.

O objetivo é entrar nas disputas estaduais com chapas “puro-sangue” (formadas só pelo PL), a fim de assegurar um palanque exclusivo para Flávio, evitando que o presidenciável do PL tenha que dividir o palanque com outro candidato de direita em alguns estados.

O exemplo do Espírito Santo é citado como um dos “casos concretos” de intervenção de Flávio motivada por nessa estratégia. Depois que o senador fluminense foi lançado pelo pai e se consolidou como pré-candidato ao Palácio do Planalto, no fim do ano passado, o PL do Espírito Santo, dirigido por Magno Malta, teria interrompido as tratativas com o Republicanos, partido de Lorenzo Pazolini. Até então, uma aliança com o prefeito de Vitória, pré-candidato ao Palácio Anchieta, era uma das alternativas postas na mesa de Magno. Agora, a hipótese é muito remota.

“Também já são mencionados, no PL, casos concretos de intervenção de Flávio. No Espírito Santo, por exemplo, o diretório local recuou das negociações com o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, que é do Republicanos. Agora, a ideia é lançar ao governo o senador Magno Malta (PL)”, informa O Globo.

A assessoria e imprensa de Magno confirma a estratégia redefinida pelo PL:

“Não houve negociação formal com o Republicanos, apenas conversas iniciais. O senador mantém o diálogo aberto, inclusive (diálogo aberto com todos os partidos de direita). Com a definição de Flávio Bolsonaro como pré-candidato à Presidência, o cenário mudou de patamar. A leitura agora é nacional: ações como as de Tarcísio de Freitas e Damares Alves (ambos do Republicanos) indicam um movimento político que redesenha estratégias e amplia possibilidades.”

O que Flávio e Magno disseram em Vitória

No dia 22 de dezembro, Flávio esteve no Espírito Santo, para uma atividade de pré-campanha em um cerimonial no Aeroporto de Vitória. Ele e Magno vieram juntos de Brasília à capital capixaba, em um jatinho particular.

Em cena carregada de simbolismo, recuperando-se de uma cirurgia, o senador do Espírito Santo chegou ao saguão do aeroporto em uma cadeira de rodas empurrada pelo próprio Flávio – que, agora, dá um grande empurrão para Magno ser candidato a governador, enquanto é impulsionado por ele em sua pré-campanha à Presidência.

Na ocasião, os dois deram entrevista coletiva. Chamando o colega de bancada de “Professor Magno Malta”, Flávio defendeu, em pleno solo capixaba, que o PL tenha um “palanque completo” na eleição estadual (o que inclui candidato a governador, além de Maguinha Malta para o Senado). E antecipou:

“A única certeza que eu tenho é que vamos caminhar com quem sempre caminhou com a gente. Essa é a diretriz aqui, e ainda vamos avaliar qual vai ser o cenário, mas temos tudo aqui para ter um palanque completo para disputar uma eleição em 2026 de forma muito competitiva e dando esperança para o nosso povo aqui no Espírito Santo”.

Por sua vez, Magno indicou ali mesmo que, sob sua liderança, o PL pretende botar de pé um palanque para a candidatura de Flávio à Presidência da República, no Espírito Santo. E tende a caminhar com as próprias pernas.

Como presidente estadual do PL, ele ratificou as palavras de Flávio:

“Certamente o Flávio terá um palanque aqui. O PL tem que dar a ele um palanque. E certamente vamos conversar e andar com quem caminhou conosco, caminha conosco em momentos difíceis.”

Magno também avisou que, no Espírito Santo, ninguém ficará de pé na prancha eleitoral do PL para se aproveitar do capital político de Bolsonaro:

Nós vamos conversar, mas ninguém vai surfar na onda Jair Bolsonaro, ninguém vai surfar no peso do PL.

Para o Senado, Magno lançou, em abril do ano passado, a pré-candidatura de uma de suas filhas, a publicitária Maguinha Malta, que nunca disputou eleições. Durante a entrevista do pai com Flávio, no Aeroporto de Vitória, ela ficou postada atrás dos dois e foi citada pelo filho de Bolsonaro.

Já para governador, Magno limitou-se a dizer, naquela oportunidade, que “o PL tem quadros” e que estes serão “trabalhados”, mas não chegou a citar nomes.

Agora, as conversas do PL nacional se afunilam para o nome dele próprio.

Guerino Zanon

Conforme publicamos aqui no dia 11 de dezembro, o nome de Guerino Zanon (PSD) também chegou a ser especulado internamente para se filiar ao PL e vir candidato a governador. Sob anonimato, fontes do PL confirmaram sondagens ao ex-prefeito de Linhares. Na entrevista de 22 de dezembro, Magno não confirmou tê-lo procurado pessoalmente, mas disse que poderia vir a fazê-lo.

“O Guerino é meu amigo e gosto dele. Ele me apoiou em quatro eleições de senador e sabe que eu sou um homem de posição. Eu convidei ele pra vir pro PL em 2022 pra ele ser o nosso candidato a governador. Ele não aceitou. […] Ele é uma pessoa do bem, não tem nenhum senão contra Guerino Zanon. Mas essa conversa de que eu já conversei com ele não procede. Não conversei com ele. Posso vir a conversar, mas não conversei.”

A política de alianças de Magno

Acima de tudo, repetindo uma linha de discurso e de estratégia já adotada por ele nas eleições municipais de 2024, Magno deixou claro que a política de alianças do PL está baseada em um ponto do qual eles não abrem mão: lealdade histórica a Jair Bolsonaro e compromisso incondicional com as bandeiras mais caras ao PL e ao bolsonarismo atualmente, com destaque para a liberdade do ex-presidente e o impeachment de ministros do STF – notadamente, Alexandre de Moraes.

“Nós vamos começar essas conversas com aqueles que vão caminhar e assumir essa luta que o Flávio acabou de falar, contra essa ditadura que está posta aí no Judiciário, a ditadura de Alexandre de Moraes especificamente.”

Magno também demarcou uma linha que divide os partidos com os quais está disposto a dialogar. “A gente vai conversar com todo mundo do campo do centro, centro-direita para a nossa direita aqui. Não conversaremos com centro-esquerda nem com esquerda. Flávio terá um palanque, e esse será o palanque.”

Distanciamento em relação a Pazolini

É preciso contextualizar as declarações de Magno. Ao frisar que o PL no Espírito Santo estará com quem “caminha conosco nas horas difíceis”, com quem “vai assumir a luta contra ‘a ditadura do Judiciário’” e que “ninguém vai surfar no peso do PL”, as declarações do senador denotam afastamento em relação a Lorenzo Pazolini e à pré-candidatura do prefeito de Vitória a governador do Espírito Santo.

Após um distanciamento ruidoso no último pleito municipal, Magno se reaproximou do presidente estadual do Republicanos, Erick Musso, no início de 2025. Erick é o principal articulador eleitoral de Pazolini e tem se esforçado pessoalmente para construir uma frente eleitoral de direita, incluindo o PL – mas com coligação e palanques encabeçados pelo prefeito de Vitória.

Ao longo do ano passsado, até foram feitos alguns acenos, se bem que muito tímidos… e houve um único encontro público de Pazolini com Magno – em julho, numa feira agropecuária de São Gabriel da Palha. Mas o flerte não passou daí, e a reaproximação esfriou muito nos últimos meses.

Com o lançamento para valer da pré-candidatura de Flávio à Presidência, a ideia de candidato próprio a governador passou a ganhar muita força no PL-ES e hoje tem precedência sobre um possível apoio a Pazolini na corrida ao Palácio Anchieta.

Em 22 de dezembro, respondendo à pergunta direta de um colega de imprensa sobre a relação com Pazolini, Magno indicou que hoje está mais distante uma aliança local pragmática entre PL e o Republicanos, até porque, com a candidatura de Flávio à Presidência, o PL ganha força para reivindicar a cabeça de uma chapa estadual. Magno respondeu ao seu estilo, citando um versículo bíblico:

A Bíblia diz: ‘Andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?’. É a Bíblia. Neste momento, estamos vivendo um momento de guerra, de luta. Queremos saber quem quer lutar conosco.

“O problema é o seguinte: a direita tem que se unir, mas tem que se unir com quem? ‘A direita tem que se unir, mas tem que ser comigo’… então por que não conosco? Todo mundo tem um projeto de governo para 2026. Nós temos um projeto. Então vamos discutir isso juntos, mas discutir com quem quer enfrentar este momento difícil.”

Assim como já fizera em entrevista a este espaço em abril, Magno denota insatisfação com outros políticos capixabas de direita (incluindo Pazolini) que não se posicionam explicitamente em defesa e em favor de Bolsonaro.

“A pessoa que põe a cara, que vai lá e defende Jair Bolsonaro, que não cometeu crime, não tem medo disso, não tem medo de botar a cara para defender Jair Bolsonaro… Agora, bicho, eu não vou ficar gritando, respondendo a processo, tem um processo enorme contra nós no TSE, enquanto as pessoas ficam muito quietinhas, e aí em 2026 eu vou levar nas costas? Eu não posso. Então é isso que nós temos que discutir.”

Conclusão

Com o empurrão (literal) dado por Flávio, o partido parece realmente ter se erguido, de uma vez por todas, na antessala do processo eleitoral no Espírito Santo. Não se sabe ainda para que lado vai, mas ganha muita força a ideia de caminhar sozinho, com uma chapa majoritária completa e puro-sangue, no 1º turno da disputa estadual.