Verde e rosa de Santa Martha
Saiba quais são
Desfile no Sambão do Povo foram avaliados por quesitos como bateria, enredo e harmonia e tiveram cobertura da TV Sim/SBT
Escrito por Larissa de Angelo em 07 de fevereiro de 2026
Além de um grande espetáculo, o Carnaval de Vitória também é uma disputa e segue um regulamento rigoroso de avaliação. As agremiações são julgadas em diferentes quesitos que definem a pontuação final e podem decidir o título do ano.
Para ajudar o público a entender como funciona a apuração e o que os jurados observam em cada apresentação, o regulamento detalha os critérios de cada quesito. A partir deles, é possível acompanhar os desfiles com outro olhar e perceber como cada detalhe.
Alegorias e adereços na escola de samba representam, de forma plástica e ilustrativa, o enredo apresentado na avenida. Esses elementos cenográficos são avaliados pela qualidade artística, plástica e criativa.
Nesse quesito, os julgadores analisam a concepção e a adequação das alegorias ao tema do desfile. Além disso, observam se as esculturas mantêm proporção para garantir uma apresentação harmônica. Falhas de pintura, ferragens expostas e ausência de elementos previstos no roteiro podem gerar penalidades para a escola.
A bateria é considerada o coração da agremiação. Junto com os intérpretes do samba-enredo, ela define o ritmo para os componentes e para o público.
Para atribuir a nota, o julgador avalia a constância do ritmo, a afinação dos instrumentos e a combinação dos sons emitidos. Além disso, quando há bossas e paradinhas, também são observadas a execução e a precisão da retomada do ritmo.
No entanto, a bateria não é obrigada a parar em frente à cabine dos jurados. Da mesma forma, quantidade de componentes, fantasias, falhas no sistema de som da avenida e presença de destaques à frente da bateria não entram no critério de pontuação.
As comissões de frente funcionam como a porta de entrada das escolas de samba. Elas são responsáveis por apresentar ao público a proposta do desfile.
Nesse quesito, a comissão é avaliada em dois subquesitos. O primeiro considera a concepção, a indumentária e os elementos cenográficos. Já o segundo analisa a apresentação e a realização.
Para alcançar a nota máxima, o julgador observa a liberdade cenográfica, o entrosamento entre os integrantes, o acabamento das fantasias e o conceito em relação ao enredo.
O enredo é a narrativa central da escola de samba. Ele define o tema que será apresentado no desfile. Nesse quesito, a avaliação parte da criação e da apresentação artística do tema. Além disso, funciona como um roteiro que organiza a sequência da apresentação.
Os julgadores consideram a coerência da narrativa com a ideia proposta, a criatividade do carnavalesco, a capacidade de realização e a carnavalização do tema. São penalizadas as escolas que não apresentarem alegorias, tripés ou alas previstas no roteiro. Também há punição em caso de troca da ordem das alas e alegorias.
A evolução avalia o andamento do desfile ao longo da avenida. Na prática, isso significa o ritmo contínuo dos sambistas e a progressão da dança de acordo com a bateria.
Nesse sentido, são analisadas a fluência da apresentação e a coesão do conjunto. Também há penalização em casos de correria, retrocessos ou abertura de “buracos”, além de falhas no posicionamento das alas e alegorias.
Porém, os jurados não consideram retrocessos necessários para execução coreográfica. Da mesma forma, aberturas de espaço que ocorram por necessidade, como para recuar a bateria ou exibir o mestre-sala e a porta-bandeira, não geram punição.
As fantasias têm a função de ilustrar o enredo na avenida. Nesse quesito, são julgadas as vestimentas da escola, com exceção das do mestre-sala, da porta-bandeira e da comissão de frente.
Para buscar a nota máxima, a avaliação considera a concepção e a adequação ao enredo. Além disso, observa a criatividade no uso de materiais, o acabamento e os cuidados na confecção.
As escolas são penalizadas quando há falta significativa de adereços descritos no roteiro. Também há punição se forem identificados celulares, bolsas, câmeras ou outros itens fora da fantasia.
A harmonia é um dos quesitos mais importantes do desfile. Segundo o regulamento do Carnaval de Vitória, ela representa o “perfeito entrosamento entre o canto dos componentes, o carro de som e o ritmo da bateria”.
Nesse quesito, os julgadores avaliam o conjunto da escola. Também observam a igualdade do canto entre intérpretes e componentes, além da regularidade ao longo das alas.
O casal de mestre-sala e porta-bandeira é um dos símbolos da escola. Eles carregam o pavilhão e representam o orgulho da agremiação na avenida.
Nesse quesito, diversos pontos são analisados separadamente para cada integrante. No entanto, o casal também recebe uma avaliação conjunta.
Entre as proibições, o mestre-sala não pode colocar a mão no chão, ajoelhar-se, tocar de forma deselegante no pavilhão ou ficar de costas para a porta-bandeira por muito tempo. Já a porta-bandeira não pode permitir que o pavilhão se enrole no corpo ou no mastro, nem ter choque corporal com o mestre-sala.
Os jurados observam a adequação da dança, a exibição do casal, a fantasia utilizada, a harmonia, a leveza dos movimentos e a criatividade. O primeiro casal recebe a avaliação oficial.
O samba-enredo transforma o tema da escola em música. Nesse quesito, o julgador avalia a letra e a melodia, sempre respeitando a licença poética.
A avaliação é dividida em dois subquesitos. A letra, que pode receber entre 4,5 e 5 pontos, deve ser adequada ao enredo, clara nas frases e criativa nas palavras. Já a melodia, que também pode receber entre 4,5 e 5 pontos, é analisada pelas características do samba, pelo equilíbrio dos tons e pela relação entre texto e música.