Carnaval 2026
Carnaval 2026
Segunda escola de samba a desfilar nesta sexta-feira (6), a Novo Império apresenta uma narrativa inspirada em xamãs africanas e guerreiras indígenas, destacando a conexão com a natureza e o saber ancestral
Escrito por Redação em 05 de fevereiro de 2026
A Novo Império apresenta no Sambão do Povo, no Carnaval de Vitória 2026, o enredo “Aruanayê – Guardiãs dos Mistérios Ancestrais”. A proposta traz uma narrativa simbólica que celebra a conexão entre xamãs africanas e guerreiras indígenas, mulheres retratadas como guardiãs do saber ancestral.
O enredo relaciona essas figuras femininas aos elementos da natureza, à força da lua cheia e ao respeito às tradições, destacando o papel da mulher na preservação da espiritualidade e da memória dos povos originários. A personagem Aruanayê é o eixo central da narrativa, representando a continuidade da vida, a sabedoria ancestral e a proteção espiritual.
Durante o desfile, a agremiação apresenta Aruanayê como um símbolo de resistência, cura e proteção, em uma narrativa onde rios, florestas, raízes, animais e astros são retratados como forças vivas e interligadas.
Fundada em 20 de dezembro de 1956, a Novo Império surgiu originalmente como “Império da Vila”, a partir da reunião de foliões dos bairros Santo Antônio, Vila Rubim e Caratoíra. O primeiro desfile, não competitivo, aconteceu pouco mais de dois meses após a fundação, pelas ruas da Vila Rubim.
A escola desfilou como Império da Vila até 1964, quando se retirou dos concursos carnavalescos em protesto contra as notas atribuídas aos seus desfiles. O retorno ocorreu em 1973, após mobilização da comunidade. Como alguns fundadores não autorizaram o uso do nome original, a agremiação adotou oficialmente o nome Novo Império, mantendo as cores azul e branco. O rosa foi incorporado posteriormente, durante as comemorações do cinquentenário da escola.
Ouça aqui.
Lua de prata no céu
Vento ancestral a soprar
Erva que cura a dor
Fogo que faz evocar
Guerreiras das matas e as xamãs
Duas forças guardiãs
Emanadas no tambor
A forja em tradições, num ritual
Terra e luz celestial
Em um pacto de amor
Aruanayê, Aruanayê
Chama as almas da floresta pra nos proteger
Manda embora invasor
Com seus raios e trovões
Paz ao ventre da mãe terra
Humaniza os corações
O destino então selado
Vive em cada lua cheia
Canta o ar que beira o rio
No silêncio da aldeia
Dos espíritos legado cantoria em gratidão
Onde a água abraça a vida
Perpetua a união…
Vem que a lenda é um cristal
Resistência natural
De mulheres a lutar
Sou a família imperial
Quilombola, original
Nem mesmo o tempo pode nos curvar
A luz que irrompe… o céu divinal
É meu Novo Império… paixão imortal
Setenta anos nesse chão de pertencer
Sou forjado pra lutar, preparado pra vencer