Carnaval 2026
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Quarta escola de samba a desfilar neste sábado (7), a Chegou o Que Faltava propõe reflexão sobre a essência e o cuidado com a própria mente
Escrito por Redação em 06 de fevereiro de 2026
Para o Carnaval de Vitória, a Chegou o Que Faltava levará para a avenida o enredo “Orí – Sua cabeça é seu guia”, que propõe uma narrativa de forte conteúdo simbólico e filosófico inspirada na cosmovisão iorubá. Na tradição africana, Orí, que significa “cabeça”, é considerado fundamento da existência, representando o centro espiritual, mental, emocional e físico de cada indivíduo.
O enredo convida o público a refletir sobre a cabeça como guia interior, responsável por orientar escolhas, caminhos e destinos. Mais do que um elemento biológico, o Orí é apresentado como guardião da memória, da intuição e da singularidade de cada ser humano.
Ao transformar esse conceito ancestral em desfile, a agremiação busca celebrar a herança africana e provocar uma reflexão coletiva sobre o cuidado com a própria essência, reforçando que o maior tesouro está dentro de cada indivíduo e que cuidar da cabeça é cuidar do futuro.
Fundada em 6 de junho de 1975, a Associação Cultural Chegou o Que Faltava surgiu a partir do bloco “Hi-Fi”, criado em 1973. Sediada no bairro Goiabeiras e popularmente conhecida como Tricolor de Goiabeiras, a agremiação adotou as cores azul, rosa e branco como sua identidade visual.
Em 1976, uma comissão foi formada para escolher o nome oficial do bloco, que desfilou naquele ano no Carnaval de Vitória ainda como Bloco Chegou o Que Faltava. O sucesso e a animação durante os desfiles motivaram a transformação do grupo em escola de samba em 1982, consolidando sua presença no carnaval capixaba.
Ouça aqui.
Orí ô olóore orí jè o
Orí ô olóore orí jè o
Cabeça feita, batizada no tambor
Na cumeeira onde mora meu Xangô
Orí!
Ajalá dá o poder ao herói que tudo vê
Orunmilá
Que o axé da minha escola prevaleça
Alimento a cabeça que a Vitória há de chegar
Faço o meu ritual
Entrego a Iemanjá
Recebo a força do céu
Caminho com meu eledá
Que vai reger eternamente
O corpo, a mente, Ayê, Orum
Bori, alimento sagrado
Sacia de axé o País
E junta dois mundos na mesma raiz
Irokô ê!
Eis a árvore sagrada
E Tempo ê!
É princípio, meio e fim
Guardiões do meu terreiro, ilê capixaba
Raiz nagô que vive em mim
Salve orí de Meia-Légua
Benedito de Ogum!
Onde ecoa a liberdade
A saudade é adarrum
É coroa de Obá
Força que não se apaga
Negra Ana de Matamba
Zacimba Gaba
De Reritiba meu oxóssi, feiticeiro e pajé
Lembro de Cancão, do orixá do meu axé
O caráter por princípio
Águas claras de Oxum
Quando a mente é terra fértil, é semente de Omulu
Bons pensamentos são das ervas de Ossain
O fogo é fruto das crianças de Ayrá
Chegou O Que Faltava
O que eu sempre quis
Na coroa de Oxalá
Pai de todos os orís