Guarapari
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A Rota da Ferradura nas montanhas de Guarapari amplia a experiência do visitante com mirantes, cachoeiras, trilhas, fé e lazer, a poucos minutos do litoral
Escrito por Rota 027 em 27 de janeiro de 2026
A Rota da Ferradura deixou de ser apenas um endereço associado à boa comida para se firmar como um roteiro completo nas montanhas de Guarapari. Em um trajeto de cerca de 18 quilômetros, que conecta as comunidades de Buenos Aires, Boa Esperança e Arraial do Jabuti, o visitante encontra paisagens naturais, experiências ao ar livre, pontos de contemplação e espaços de convivência que ajudam a explicar por que o circuito vem atraindo cada vez mais fluxo.
Além disso, o acesso é simples. A partir do centro de Guarapari, são cerca de 12 quilômetros até o início da rota. Já quem chega pela BR-101 encontra a entrada logo após o trevo da cidade. Em poucos minutos, o cenário muda e a estrada passa a costurar áreas de mata, propriedades rurais e pequenas centralidades locais. Segundo a analista do Sebrae/ES, Sara Casas, o fortalecimento do território passa justamente por esse conjunto. “A gente olha aquele espaço com muito carinho, porque entende que é um destino turístico sustentável, que conversa com esse momento de desacelerar e sentir o frescor da natureza”, afirmou.
Um dos pontos mais procurados do percurso é o Mirante do Elefante, próximo a Buenos Aires. Do alto, a vista se abre para Guarapari, com recorte de praias, centro urbano, BR-101 e a sequência de montanhas que marca a região. O nome vem da formação rochosa em frente ao mirante, cuja silhueta lembra a tromba de um elefante.
No local, funciona o Café com Foto, que transformou o mirante em ponto de parada ao longo da rota. O espaço abre de quinta-feira a domingo, das 9h às 18h. Para quem passa por ali, a pausa ajuda a entender o apelo do território. “É praia e montanha a cerca de 20 minutos uma da outra, mas com um convite real à contemplação”, disse Sara Casas.
Para quem prefere movimento, a Rota da Ferradura também oferece passeios de quadriciclo na região de Buenos Aires. O roteiro passa pela Cachoeira do Barbudo, pela Cachoeirinha e pelo Mirante da Pedra dos Namorados. O percurso tem duração média de duas horas, inclui paradas para fotos e custa R$ 350 por quadriciclo, com capacidade para até duas pessoas. Contato: (27) 99914-6378.
A saída acontece em frente ao Bar e Restaurante do Ademir, ponto de referência da comunidade. De acordo com o Sebrae, ações como essa ajudam a diversificar a experiência do visitante. “A gastronomia é muito agradável, mas o território oferece mais do que isso. A ideia é ampliar a vivência”, pontuou a analista.
Outro trecho que chama atenção é a Avenida dos Apaixonados, em Buenos Aires. Com quase quatro quilômetros de extensão, a via liga a Pedra dos Namorados ao shopping mall da região. Ao longo do percurso, o paisagismo e os elementos visuais transformam a estrada em uma espécie de galeria a céu aberto.
Mais do que uma via de ligação, a avenida funciona como espaço de convivência. Ela integra moradores, visitantes e empreendimentos locais, reforçando a leitura da rota como um território em construção contínua. “A gente tem atuado como parceiro estratégico na consolidação da Rota da Ferradura, inclusive com consultoria de marca e sinalização turística”, explicou Sara Casas.

Em Buenos Aires, o Sítio Vila Anunciatta concentra um dos espaços mais completos do percurso. No local, foi criada a chamada Rua do Lazer, uma via que reúne restaurante, playground infantil, artesanato, loja de cerâmica, espaços instagramáveis, hospedagem, sorveteria, empório, doceria e um museu com loja dedicada à cachaça.
Embora o trânsito de veículos seja permitido, a melhor forma de conhecer o espaço é caminhar ao longo da rua. Um dos destaques é o Museu da Cachaça, criado há cerca de 20 anos por Lauro de Franco Seda. No acervo, estão objetos ligados à produção da bebida e dezenas de peças antigas reunidas ao longo dos anos. “Também temos um alambique no sítio, que se chama Vila Anunciatta em homenagem à minha mãe, Maria Anunciatta, imigrante italiana”, contou.
A Rua do Lazer funciona de sexta-feira a domingo e em feriados, das 10h às 18h. No mesmo horário, o Empório da Rota recebe visitantes. “É uma loja em que as pessoas encontram produtos regionais, como doces e pães caseiros, além de lembranças ligadas à Rota da Ferradura”, explicou a proprietária Lara Gomes.

Entre uma parada e outra, a água aparece como convite ao descanso. A Cachoeira de Buenos Aires fica em área particular e cobra entrada para manutenção e preservação. O acesso começa pelo Bar e Restaurante do Ademir, seguindo por cerca de dois quilômetros de estrada de terra sinalizada. Depois, uma trilha curta, de aproximadamente cinco minutos, leva até a queda d’água.
Já a Cachoeira do Pernambuco exige mais atenção. O acesso parte de Buenos Aires em direção ao distrito de Rio Calçado, passando pela Piscina do Maioli. Após estacionar, o visitante segue por trilha e pelo leito do rio. Apesar da beleza do percurso, o trajeto não é indicado para crianças e idosos, por conta das pedras.
A religiosidade também integra o roteiro. A Igreja de São Bento, localizada na comunidade de Boa Esperança, aparece como ponto de visita simples e simbólico, marcado pela arquitetura e pela relação direta com a vida local.
Para quem decide ficar mais tempo, a rota oferece hospedagem integrada à paisagem. Os Chalés Figueira ficam no km 339 da BR-101, na Estrada da Rota da Ferradura, em Jaboti. As acomodações têm vista para as montanhas e estrutura voltada ao descanso, com chalés equipados, deck privativo e áreas de contemplação.