Segurança

“Quando eu berrava, ele me apagava”, conta mulher torturada no Rio

A jornalista Ana Luiza Dias, de 37 anos, contou, em entrevista à Record TV Rio, sobre os momentos de terror que viveu enquanto foi mantida em cárcere privado e torturada por três dias pelo namorado, preso em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, na última terça-feira (3).

Ana Luiza relatou que era sempre agredida com um golpe conhecido como mata-leão pelo homem quando tentava gritar por socorro no apartamento onde estava trancada, na rua Barata Ribeiro. “Quando eu berrava, ele me apagava”, disse a jornalista.

A vítima também afirmou que foi manipulada pelo namorado durante os oito meses de relacionamento. Além disso, contou que ele já havia sido agressivo com duas ex-mulheres, mães de seus filhos.

“Descobri que ele era um monstro. Caí nas garras de um manipulador. Quando eu descobri, já estava envolvida e acreditei na pior coisa que uma mulher pode acreditar: que comigo ia ser diferente”, disse.

Segundo Ana Luiza, uma das outras vítimas do agressor também foi mantida em cárcere privado no passado e a outra possui marcas de ferimentos causados por fogo na perna.

A jornalista só conseguiu fugir quando o homem saiu para ir à padaria e esqueceu a porta destrancada. Ela relatou que, nesse momento, teve um “estalo” e que precisou descer nove andares de escada para ser socorrida.

Ana Luiza sofreu fraturas no crânio e na mandíbula, além de vários hematomas pelo corpo. Em seu relato, ela encorajou mulheres vítimas de violência doméstica a reagirem contra seus abusadores.

“Todas as mulheres devem denunciar seus agressores. Somos muito fortes e devemos ser cuidadas, amadas e respeitadas”, disse.

Nesta quinta (5), em audiência de custódia realizada no Tribunal de Justiça do Rio, o criminoso teve a prisão temporária mantida. Ele irá responder pelos crimes de tentativa de feminicídio, estupro, cárcere privado e tortura.