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As primeiras promessas de Cris Samorini como prefeita de Vitória

“Não busco provar a força da mulher pelo cargo que ocupo, mas não permitirei, em nenhum dia, que uma mulher seja desvalorizada no ambiente de trabalho”. Leia esse e os outros destaques do discurso de posse da sucessora de Pazolini

Escrito por Vitor Vogas

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Eram 18h43 quando Cris Samorini (PP) começou a ler seu discurso da tribuna da Câmara de Vitória, na sessão solene de posse, após ter feito o juramento solene, ratificando a assunção ao cargo de prefeita – que já tem efeito jurídico desde sábado, quando ela e Lorenzo Pazolini (Republicanos) assinaram o termo de sucessão. No discurso, diante do próprio Pazolini, de muitas autoridades, dos vereadores da cidade e das galerias lotadas, a primeira mulher a governar a cidade de Vitória assumiu seus primeiros compromissos públicos.

Um dos mais importantes tem a ver, precisamente, com sua condição de mulher. Enfatizando a importância do fato (ela falou em “momento histórico”), Cris afirmou:

“Não aceitarei que o fato de ser a primeira mulher a ocupar este cargo seja usado como argumento para silenciamento, hesitação ou recuo. Eu não estou aqui para simbolizar. Estou aqui para decidir, para enfrentar, para assumir riscos e, principalmente, para entregar resultados à vida das pessoas.”

Não busco provar a força da mulher pelo cargo que ocupo, mas não permitirei, em nenhum dia, que uma mulher seja desvalorizada no ambiente de trabalho. E digo mais: não permitirei a desvalorização de ninguém. Porque antes de qualquer função, antes de qualquer título, existe uma pessoa. É por tudo isso que eu vou me levantar todos os dias.”

Lembrando o recente assassinato da chefe da Guarda Civil Municipal de Vitória, Dayse Barbosa, vítima de feminicídio, a nova prefeita prometeu priorizar o combate a esse tipo de violência em sua administração municipal:

“Vivemos, recentemente, um momento que nos exige reflexão profunda. Em uma trajetória dedicada a ampliar oportunidades e proteção para as mulheres, alcançamos a marca de 652 dias sem feminicídio. Um resultado que representa esforço, compromisso e uma rede que vem sendo fortalecida. Mas, ao mesmo tempo, fomos impactados por uma dor imensa. Perdemos, de forma precoce e cruel, a nossa comandante Dayse. Uma perda que nos marca, que nos abala, mas que também nos convoca a não recuar”.

Cris asseverou que o combate ao feminicídio será tratado diretamente no gabinete dela:

“E é por isso que eu afirmo aqui, de forma muito clara, que uma das prioridades centrais da minha atuação será o enfrentamento ao feminicídio. Todas as políticas públicas relacionadas a esse tema serão tratadas diretamente no meu gabinete, porque nós já temos diagnósticos suficientes, já conhecemos exemplos que funcionam e já testamos caminhos que dão resultado”.

A nova prefeita também afirmou um compromisso com a ética:

Não aceitarei, em hipótese alguma, qualquer aproximação com aquilo que seja ilegal, imoral ou que fira a ética. Essa é uma pauta inegociável. É um princípio. É um limite que não será ultrapassado.”

De igual modo, Cris comprometeu-se a não “errar por escolha”:

“Erramos, sim. Erramos todos os dias. Mas há uma diferença que precisa ser clara: jamais aceitarei errar por escolha, sobretudo quando estamos lidando com o que há de mais importante em qualquer história: as pessoas”.

Pedindo apoio aos vereadores e líderes comunitários presentes, Cris definiu a sua missão a partir de agora:

“A minha missão não é pelo poder e não é por interesse pessoal. A minha missão é por aquele trabalhador e aquela trabalhadora que acordam cedo todos os dias para enfrentar os desafios da vida. Pela mãe solo que precisa de apoio e não estará mais desamparada. Pela criança e pelo jovem que merecem um futuro melhor por meio da educação. Por todas as pessoas que precisam de voz, de inclusão, de acessibilidade e de proteção. Por aqueles que precisam de cuidado na saúde, por aqueles que precisam de atenção na melhor idade e também pelos nossos pets, que fazem parte das famílias e merecem cuidado e respeito”.

(A nova prefeita de Vitória ama cachorros.)

Homenagens a Pazolini

Dizendo que, a partir de agora, “será dado um novo passo”, ela disse reafirmar a responsabilidade que ela e Pazolini fizeram no dia 1º de janeiro de 2025, quando ela assumiu como vice-prefeita, “diante de uma cidade inteira”.

“Eu chego a este momento com a clareza de que cuidar de Vitória é uma prática diária, exigente, que pede presença, decisão e, acima de tudo, compromisso verdadeiro com as pessoas. […] E governar exige coragem para agir e responsabilidade para entregar.”

Ela rendeu homenagens a Pazolini:

Nós tivemos esse compromisso com a liderança do prefeito Lorenzo Pazolini, presente diariamente nas ruas, mas, acima de tudo, garantindo que a estrutura do município estivesse preparada para sustentar esse compromisso no dia a dia, com as mãos limpas e olhando no branco dos olhos das pessoas”.

Cris disse saber que será difícil “manter o padrão”, mas que ela e seu secretariado não admitirão retrocesso: “O mais positivo disso tudo é que elevamos o nosso próprio padrão. Passamos a querer mais, a não aceitar retrocessos e a não admitir menos do que já foi conquistado. Há cinco anos estamos vivendo uma cidade em evolução, com compromisso e com resultado, e isso naturalmente aumenta o nosso nível de exigência. E é justo que seja assim”.

Fugindo um pouco ao script e falando de improviso neste ponto, ela disse que os secretários e servidores, agora, terão uma prefeita que “cobra ainda mais” que Pazolini.

Segundo ela, “não há mais espaço para discurso vazio ou promessa que não sai do papel”. “E a gente ainda convive, muitas vezes, com uma cultura de empurrar responsabilidade, de justificar o que não foi feito e até criar regras que já nascem sem funcionar. Uma cultura que acaba normalizando o erro e só reage depois que o problema aparece. Isso precisa mudar”.

Ainda de acordo com a nova prefeita, fazer a cidade crescer e melhorar é um papel coletivo. “O poder público tem, sim, o dever de liderar, organizar, investir e cuidar, mas a responsabilidade de construir uma cidade melhor é coletiva.”

Desafio para quem vem do setor privado

Ela refletiu sobre a grande diferença para quem vem do setor produtivo, como ela, e de repente precisa dar respostas à sociedade no setor público.

“Tenho aprendido na vida pública que o grande desafio é saber dosar as ações ao longo do tempo — sem perder o que já foi conquistado e sem deixar de avançar no que ainda precisa ser feito — diante de tantas áreas essenciais que impactam diretamente a vida das pessoas: educação, saúde, assistência, habitação, segurança, mobilidade, desenvolvimento, cultura, lazer, inclusão — especialmente para as pessoas com deficiência —, o compromisso com o meio ambiente, a construção de um futuro consistente e também o cuidado e a proteção dos nossos pets, que fazem parte das famílias.”

Ela agradeceu muito aos servidores de Vitória e destacou alguns dados da administração de Pazolini, ao longo dos últimos cinco anos e três meses. Disse que Vitória, hoje, é a primeira capital do Brasil em acesso à saúde e que, graças ao Vix + Cidadania (programa de transferência direta de renda), 19 mil pessoas foram tiradas da situação de pobreza.

A nova prefeita ainda destacou a promoção da igualdade social como marca da gestão anterior, à qual ela agora assume o compromisso de dar continuidade. “O mesmo Parque Kids que tem na Mata da Praia é o que tem no Bonfim”, disse ela, citando, respectivamente, um “bairro nobre” e um do morro na Grande Maruípe.

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