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Marcos do Val anuncia filiação a novo partido: “Deus tava preparando”

Segundo senador, ele passará a presidir pequena sigla no Espírito Santo, com total autonomia da direção nacional para reconstruir o partido e ser candidato à reeleição. Dirigente estadual fala em “impacto” e “debandada de filiados”

Escrito por Vitor Vogas

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Senador Marcos do Val. Crédito: Agência Senado
Senador Marcos do Val. Crédito: Agência Senado

Em live em seu canal no YouTube na noite de segunda-feira (31), o senador Marcos do Val anunciou sua decisão de se filiar ao Mobiliza (antigo Partido da Mobilização Nacional/PMN).

O ex-instrutor de segurança pública foi eleito ao Senado pelo Espírito Santo em 2018, filiado ao Cidadania (antigo Partido Popular Socialista/PPS). No ano seguinte, filiou-se ao Podemos, onde está até hoje. O senador capixaba é pré-candidato à reeleição e agora, segundo ele, tentará renovar o mandato pelo Mobiliza.

Fundado em 1990, o Mobiliza é um partido bastante pequeno, no Espírito Santo e em âmbito nacional. A sigla não tem nenhum representante no Congresso Nacional (nem senador nem deputado federal). Nas eleições de 2022, só seis deputados estaduais foram eleitos em todo o país pela legenda.

Segundo Do Val, ele passará a presidir o Mobiliza no Espírito Santo, com total autonomia da direção nacional para reconstruir o partido, com novas filiações. Na live, ele afirmou que outros quatro partidos se juntarão ao Mobiliza. Segundo o congressista, os nomes de tais agremiações serão revelados por ele nos próximos dias.

Se ficasse no Podemos, o senador não teria legenda para ser candidato à reeleição. No Espírito Santo, o partido apoia o governo Casagrande. Sob a presidência estadual do deputado federal Gilson Daniel, o Podemos também apoia Casagrande para senador e Ricardo Ferraço (MDB) para governador.

Do Val, no entanto, rompeu com o governo Casagrande, após ter sido apoiado por ele para chegar ao Senado em 2018 e após ter apoiado a reeleição do governador em 2022.

Na live em questão, o senador falou bastante em Deus e destacou o fato de o número de urna do Mobiliza ser o 33, repetindo que é “a idade de Cristo” – idade que tinha Jesus Cristo, segundo a Bíblia, ao ser crucificado.

O senador também afirmou que recebeu da direção nacional total autonomia para mudar o partido, incluindo a logomarca oficial, retirando dele a cor vermelha. O vermelho, no caso, é a cor do triângulo que simboliza a Inconfidência Mineira – o mesmo que consta da bandeira do estado de Minas Gerais.

Do Val também fez uma associação entre o nome do partido e seu currículo: “Minha carreira vem de imobilizações”. Ele já foi professor de artes marciais e é especialista em técnicas de imobilização.

O senador reconheceu que o partido, hoje, é pequeno e que ele mesmo nunca tinha ouvido falar do Mobiliza até receber o convite.

FRASE: “É um partido que eu falo até pra vocês: eu nunca tinha escutado. Mas sabe por quê? Porque Deus tava preparando esse partido para que eu pudesse assumir. Esse partido não tem problema na Justiça, não tem envolvimento em corrupção, é um partido que está totalmente legal na Justiça Eleitoral. Mas é pequeno… hoje!”

“Eu falei: Deus, coloque um partido que eu tenha autonomia e que não seja grande, porque eu quero transformar o partido com uma cara nova, de uma política brasileira que está renascendo, está se reinventando no país. Não vai ter caciques, não vai ter traições, porque meus valores não estão em bancada de negócios”, disse o senador.

De acordo com Do Val, “a partir de agora, o cenário político, principalmente capixaba, começa a mudar”.

Presidente estadual fala em “debandada”

Até o momento, a troca de comando anunciada por Do Val ainda não foi oficializada. Conforme consta na página oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o presidente estadual do Mobiliza no Espírito Santo segue sendo, ao menos por enquanto, o contador Wederson Brambati Maioli, mais conhecido como Edinho Maioli.

Ouvido pela coluna, Maioli declarou que ainda não tem nenhuma informação oficial sobre eventual substituição no cargo de presidente estadual, mas que, se isso se concretizar, haverá uma “debandada” de muitos dos atuais filiados ao Mobiliza no Espírito Santo.

Aliás, segundo o dirigente, a simples circulação da informação sobre a mudança anunciada por Do Val já gerou um princípio de “debandada”.

De acordo com Maioli, no Espírito Santo, o pequeno Mobiliza estava comprometido a apoiar Casagrande e Ricardo Ferraço no pleito de outubro, enquanto Do Val, segundo ele, “está do outro lado”. Desde fevereiro, o senador tem feito gestos de aproximação com adversários do Palácio Anchieta, como o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos).

Ainda segundo Maioli, se a troca de guarda se confirmar, ele mesmo sairá do Mobiliza. Além disso, os dois deputados estaduais com mandato que já haviam decidido entrar na sigla para buscar a reeleição (Zé Preto e Marcos Madureira) possivelmente voltarão atrás e procurarão outra legenda até sexta-feira (3), quando se encerra a janela para deputados trocarem de partido.

“Isso cria um cenário disfuncional. Estamos construindo um caminho com o atual vice-governador. De repente, o senador joga essa informação no mercado político, sendo que ele joga do outro lado. Eu certamente vou deixar o partido. O impacto que isso causa certamente gera uma debandada de lideranças cuja filiação a gente estava trabalhando, principalmente nestas últimas semanas”, afirma Maioli, morador de Guarapari.

“Nosso propósito nunca foi construir uma candidatura majoritária. E sim montar uma chapa para a Assembleia Legislativa. Nosso alinhamento sempre foi com o atual governo estadual”, completa o dirigente.

A coluna fez contatos com a direção nacional do Mobiliza, mas não obteve retorno. O presidente nacional da sigla é Antonio Carlos Bosco Massarollo.

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