Arena Digital
IA não é hype. É execução. E quase ninguém está pronto.
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Sandro Rizzato

Sandro Rizzato assina a coluna Arena Digital sobre tecnologia, inteligência artificial e empreendedorismo, escrita sem deslumbramento e sem discursos prontos, com a proposta de confrontar ideias, questionar o hype e analisar o impacto real da IA no trabalho, nos negócios e no comportamento humano. Com olhar crítico e provocativo, parte do princípio de que a tecnologia deve ampliar a capacidade humana, não substituí-la, e convida o leitor a sair do piloto automático digital para refletir sobre as transformações que influenciam decisões, produtividade, atenção e qualidade de vida.
Inteligência artificial virou presença obrigatória em qualquer conversa corporativa. Foto: Reprodução
Inteligência artificial virou presença obrigatória em qualquer conversa corporativa. Foto: Reprodução

Nos últimos meses, a inteligência artificial virou presença obrigatória em qualquer conversa corporativa. Está no pitch, no planejamento estratégico, no discurso do CEO e até no café com o cliente. Todo mundo “usa IA”. Ou, pelo menos, diz que usa. O problema é que, na prática, a maioria não saiu do PowerPoint ou da conversa com o Chat Gpt.

Existe hoje uma espécie de teatro da inovação. Empresas simulam transformação digital enquanto continuam operando com os mesmos processos, as mesmas decisões lentas e a mesma aversão ao risco de sempre. A IA entra como verniz moderno em estruturas antigas. Bonita na superfície, irrelevante na essência.

Não falta acesso. Não falta ferramenta. Não falta informação. Falta execução. Falta método. Falta, principalmente, disposição para fazer o que precisa ser feito quando isso implica mudar rotina, mexer em gente, revisar processo e, em muitos casos, admitir que o modelo atual já não se sustenta.

A frase de Larry Page continua brutalmente atual: “Ideas are easy. Implementation is hard.” (Ideias são fáceis. Implementar é difícil.) A inteligência artificial escancarou isso. Nunca foi tão simples testar algo novo. E nunca foi tão evidente quem não consegue transformar teste em operação.

Enquanto isso, o mercado não está esperando. Ele está filtrando. Separando quem usa IA para parecer moderno de quem usa para ganhar eficiência, escala e margem. E essa diferença não aparece no discurso. Aparece no resultado.

O mais curioso é que muitas empresas acreditam estar sendo prudentes ao “aguardar o momento certo”. Testam aqui, pilotam ali, criam um comitê, contratam uma consultoria, fazem mais uma reunião. Chamam isso de estratégia. Mas, na prática, é só adiamento bem apresentado.

E é aqui que entra um lembrete desconfortável, vindo de Rush, na música Freewill: “If you choose not to decide, you still have made a choice.” (Se você escolhe não decidir, ainda assim já fez uma escolha.)

No contexto atual, não executar não é neutralidade. É decisão. E, quase sempre, é a decisão de ficar para trás enquanto o mercado avança sem pedir licença.

A inteligência artificial não vai destruir empresas. A inércia vai. A incapacidade de sair do discurso e entrar na prática vai. O apego ao confortável, disfarçado de cautela, vai.

No fim, a pergunta não é se a IA vai transformar o seu negócio. Isso já está acontecendo. A pergunta é outra, bem menos confortável: você está realmente fazendo algo diferente ou apenas repetindo o mesmo modelo de sempre, esperando, curiosamente, um resultado diferente?

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