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Da Vitória dá passo largo para ser candidato a senador com Ricardo e Casagrande

E mais: o que disseram Da Vitória, Marcelo Santos e Ricardo no anúncio do apoio da Federação União Progressista ao terceiro para governador. O que será de Evair de Melo, Cris Samorini, Hércules Silveira, Audifax Barcelos e outros mais?

Escrito por Vitor Vogas

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A Federação União Progressista deu nesta segunda-feira (23) um passo largo e importante para emplacar um candidato a senador pelo Espírito Santo nas eleições que começarão em agosto, na chapa que será encabeçada pelo vice-governador Ricardo Ferraço (MDB), governador do Estado a partir do dia 2 de abril.

No anúncio oficial do apoio da Federação União Progressista (UP) a Ricardo para governador, no auditório do Palácio do Café, ficou bem nítido que o UP terá um lugar especial à mesa, para não dizer a preferência, para indicar o segundo candidato a senador na coligação a ser liderada por Ricardo.

O UP é formado por dois partidos, Progressistas (PP) e União Brasil, cujos presidentes estaduais são o deputado federal Josias da Vitória e o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos, respectivamente. “A nossa federação não entra nesse projeto para assistir de fora”, declarou Da Vitória, em seu discurso.

Além de candidato a governador e vice-governador, cada coligação majoritária poderá lançar até dois candidatos a senador. Na chapa governista, Ricardo será a cabeça. Já a primeira vaga de candidato ao Senado é do ainda governador Renato Casagrande (PSB). Resta o candidato a vice e o segundo postulante a senador.

Os representantes do UP estão de olho na segunda vaga. Querem preenchê-la, como afirmou Marcelo Santos, categoricamente, na parte final do seu discurso no Palácio do Café, ao lado de Ricardo e Da Vitória e diante de um auditório lotado de correligionários.

A outra [vaga para o Senado] nós vamos decidir aqui na federação.”

Questionado pela coluna se confirma as palavras de Marcelo, o próprio Ricardo respondeu, duas vezes, com estas exatas palavras:

Confirmo, de maneira muito clara, que a federação tem força, tamanho, musculatura, popularidade e presença no Espírito Santo para estar sentada à mesa para debater e definir as composições no campo majoritário.”

Ricardo disse ainda que a federação “tem todas as virtudes para estar sentada à mesa contribuindo de forma protagonista na definição dos espaços majoritários”. É o mais direto que ele poderia ter sido a esta altura, sem melindrar outros partidos e aliados com interesse no posto.

Nesse cenário, quem ascende com grandes chances de ser o indicado pelo UP é Da Vitória. Como presidente do PP e da “superfederação” no Espírito Santo, o deputado é o grande fiador desse apoio a Ricardo e Casagrande e foi o anfitrião do evento para o anúncio do apoio.

Respondendo a uma pergunta direta de uma colega de imprensa, Da Vitória não negou interesse em ocupar esse lugar na chapa para tentar chegar ao Senado, muito pelo contrário.

“Eu nunca neguei isso. A vontade pessoal é diferente da vontade de Deus. […] Eu sempre tive vontade, e inclusive me manifestei, para o Governo do Estado, mas hoje me encontro muito seguro aqui, e também para uma candidatura ao Senado. Mas, diferentemente de muitos que se colocam pré-candidatos ao Senado, eu sempre me coloquei como pré-candidato à reeleição, que é o que meu braço alcança. Mas estou disposto e muito seguro a participar de qualquer processo que a gente possa participar, desde que seja consenso desta família que nos ampara. E tenho certeza que nós teremos a melhor indicação para compor essa chapa.”

Ricardo: “gratidão pela confiança”

Em seu discurso, o último da mesa de autoridades, Ricardo foi só gratidão pela confiança depositada nele. “Minha primeira palavra é obrigado. Muito obrigado. A palavra que se traduz neste ato que estamos realizando aqui é confiança. Confiança para que eu possa dar continuidade ao trabalho do governador [Casagrande]. Dar continuidade, mas sem continuísmo”, destacou o vice-governador.

“Vamos chegar à vitória juntos e vamos governar o Espírito Santo juntos”, arrematou.

Da Vitória: humildade, diálogo e segurança

“Ricardo Ferraço, você não estará sozinho”, disse Da Vitória. “Nós temos muitas experiências nesta mesa para que você possa ter segurança de que será ancorado e assistido em qualquer governo.”

As três palavras capitais do discurso do deputado, atribuídas por ele a Ricardo, foram diálogo, humildade e segurança.

“Política se faz com diálogo, se faz com compreensão. A gente só consegue chegar a um momento como este, hoje, por compreensão ao contraditório, por respeito a posições diferentes, por ter a possibilidade de sentar à mesa. Lideranças com tanta experiência sabem que precisamos ouvir mais que falar. Não dá para aceitar carteirada de ninguém. Não dá para ir para nenhum caminho que não seja o do diálogo e o do consenso.”

Ele também ressaltou a relação de respeito mútuo com Ricardo e lançou esta indireta: não se pode fazer política à base do autoritarismo.

“Estamos sentados do lado de alguém que não nega o debate e que respeita as pessoas. É o motivo que nos levou, e a mim principalmente, a estar do seu lado. O que nos trouxe até aqui foi o respeito à sua pessoa e a segurança de encontrarmos um caminho seguro.”

Não há tempo mais para quem quer fazer política com carteirada, com imposição, com falta de respeito. A humildade e o respeito ao próximo estão investidos na sua pessoa. […] Não vamos conseguir buscando uma aventura, buscando aquilo que talvez seja novo, mas compromete toda uma sociedade.”

Marcelo Santos: “Não bastam redes sociais”

Segundo Marcelo, foi “selado um pacto importante não da federação, mas de todo o Espírito Santo”.

Ele também mandou indiretas para políticos (e potenciais adversários eleitorais) que baseiam sua popularidade e sua comunicação pública tão somente nas redes sociais.

“Não basta apenas falar bonito na rede social que vai resolver os problemas. Tem que conhecer a máquina pública e os problemas do nosso estado. E me perdoe os que talvez vão concorrer ao mesmo cargo que o Ricardo, mas a maior experiência para liderar este estado está gravada na linha do que já exerceu, na figura de Ricardo Rezende Ferraço.”

Ainda segundo Marcelo, os apoiadores de Ricardo agora têm uma missão importante:

“A partir de agora, precisamos compartilhar com as pessoas que a rede social é legal, é importante… Mas o mundo da rede social apresentado por muita gente aí é um mundo perfeito e ideal, mas na vida real não é isso”.

Um milhão de votos na mesa”

Marcelo ainda se permitiu uma brincadeira: “Só nesta mesa aqui, tem um milhão de votos. Sem contar governador, só de deputados”.

Além dele mesmo, de Da Vitória e de Ricardo, a mesa foi composta pelos dois deputados federais que acabam de se juntar ao UP: Messias Donato (União Brasil) e Amaro Neto (PP), ambos saídos do Republicanos, o partido de Lorenzo Pazolini. O prefeito de Vitória também é pré-candidato a governador, em polo antagônico ao que é tema desta coluna.

A mesa também foi composta por deputados estaduais do UP, como Raquel Lessa (PP), Denninho Silva (União Brasil) e Adilson Espindula (recém-chegado ao PP), além do presidente estadual do PSB, Alberto Gavini (representando Casagrande), e do prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio (MDB).

Messias Donato: ponte com meio evangélico

Messias Donato reafirmou, desta vez de público, que apoiará Ricardo, por três motivos.

O primeiro é sua defesa da liberdade econômica. O segundo são os investimentos do governo Casagrande em Cariacica. “Gratidão não prescreve, não tem prazo de validade.”

O terceiro é a ligação de Ricardo com o agronegócio. “Chega em cada distrito do Espírito Santo sem usar GPS.”

Pastor da Igreja do Evangelho Quadrangular, Messias prometeu ser um “soldado” de Ricardo no diálogo com as lideranças religiosas.

Prefeitos prestes a chegar

Também saídos do partido de Pazolini, dois prefeitos vão entrar no UP e engrossaram a mesa de autoridades. O de Iconha, Gedson Paulino (vai para o União Brasil), e o de Guarapari, Rodrigo Borges (vai para o PP ou para o União Brasil).

Hércules fica!

Apesar de sua ligação com Arnaldinho Borgo e de ter dito, há nove dias, estar disposto a ir para o sacrifício, o ex-deputado estadual Hércules Silveira, hoje vereador de Vila Velha, voltou atrás e decidiu ficar no PP para tentar voltar à Assembleia. Ele esteve no anúncio.

Pesaram o receio de Arnaldinho não conseguir montar chapa e o risco de perder o atual mandato na Câmara de Vila Velha.

Audifax também

O ex-prefeito da Serra Audifax Barcelos também se fez presente, mas se manteve bem discreto, sentado à última fileira. Ele foi adversário de Casagrande nas eleições de 2022. Também está filiado ao PP e será candidato a deputado estadual pela chapa da federação.

E quanto a Evair?

Quem obviamente passou longe do anúncio foi o deputado federal Evair de Melo, que apoia Lorenzo Pazolini para o Governo do Estado.

Da Vitória disse querer que Evair continue no PP e que, se o colega ficar, será liberado para fazer seus próprios movimentos eleitorais no pleito estadual, como em 2022.

Naquela oportunidade, o PP ficou na coligação de Casagrande, enquanto Evair apoiou Guerino Zanon (PSD) para o governo.

Cris Samorini: “Tem que perguntar a ela”

Da Vitória também foi indagado sobre a situação de Cris Samorini. Hoje vice-prefeita de Vitória, ela se elegeu para o cargo em 2024 pelo PP e continua filiada ao partido, mas é apoiadora de Pazolini e muito próxima politicamente de Evair.

No começo de abril, Cris se tornará prefeita da Capital, com a renúncia de Pazolini para disputar o Palácio Anchieta.

“Ficar ou não no PP é uma decisão pessoal dela”, respondeu Da Vitória. “Mas a nossa decisão aqui é a de escolher o melhor projeto para governar o Espírito Santo”, reiterou.

As potentes chapas proporcionais do UP

Da Vitória assegurou: “Faremos o maior número de deputados estaduais e o maior número de deputados federais no Espírito Santo”.

Não parece ter sido um arroubo de otimismo. As chapas do UP para a Assembleia Legislativa e a Câmara dos Deputados estão mesmo de impor respeito (ou medo) a adversários.

Na Assembleia, a federação deve fazer de seis a oito cadeiras (entre 20% e 30%) das vagas. Na Câmara, poderá eleger de três a quatro federais (de 30% a 40% da bancada capixaba). Se Da Vitória sair da chapa para disputar o Senado, de dois a três federais.

É muita coisa.

A chapa para a Assembleia

A chapa do UP para a Câmara está praticamente pronta e pode ser conferida aqui. Já a base da chapa para a Assembleia é a seguinte:

PP
. Raquel Lessa (São Gabriel da Palha)
. Adilson Espindula (Santa Maria de Jetibá)
. Audifax Barcelos (Serra)
. Fernando Santorio (Cariacica)
. Daniel da Açaí (São Mateus)
. Leandro Piquet (Vitória)

União Brasil
. Denninho Silva (Vitória)
. Zé Esmeraldo (Vitória)
. Franco Fiorot (Linhares)
. Patrícia Crizanto (Vila Velha)
. Ciara da Pesca (Conceição da Barra)
. Elcimara da Farmácia (São Mateus)

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