“Nada será como antes”. É o nome de uma célebre canção de Milton Nascimento, composta com Beto Guedes, em 1972. E é justamente com essa frase que os dirigentes estaduais da Federação União Progressista abrem um manifesto em defesa da pré-candidatura do vice-governador Ricardo Ferraço (MDB), preparado para o anúncio oficial de apoio a ele, na tarde desta segunda-feira (23).
Bastante elogioso a Ricardo, o texto possivelmente será levado do lado esquerdo do peito do vice-governador, se quisermos parafrasear outra canção do mesmo Milton. No próximo dia 2 de abril, Ricardo se tornará governador do Estado, com a renúncia de Renato Casagrande (PSB) para ser candidato a senador. Em outubro, Ricardo concorrerá à reeleição, com o apoio de Casagrande.
No Espírito Santo, a Federação União Progressista decidiu se juntar ao mesmo clube. No retangular tabuleiro eleitoral, está na mesma esquina de Ricardo e Casagrande.
O União Progressista (UP) é formado por dois partidos: o União Brasil e o Progressistas. No Estado, as duas siglas de direita são presididas, respectivamente, pelo presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos, e pelo deputado federal Josias da Vitória. Este também preside a federação.
Os dois são aliados de Casagrande e decidiram levar o UP a apoiar o governador para o Senado e Ricardo para governador do Espírito Santo. A federação estará na mesma coligação do PSB e do MDB.
No manifesto, os representantes do UP fazem um “convite” à “renovação” com “equilíbrio” e “visão”, como um conceito que vai muito além da faixa etária. Ricardo tem mais de 60 anos (e cerca de 40 como homem público), enquanto seus potenciais concorrentes, como Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Arnaldinho Borgo (PSDB), estão na casa dos 40.
“É nesse ponto que a renovação precisa ser tratada com seriedade. Renovação não é atributo etário nem peça publicitária; manifesta-se quando experiência se transforma em direção estratégica e distingue projetos de Estado de iniciativas movidas por ambição circunstancial”, diz o documento. E segue:
“O Espírito Santo não precisa de improvisações nem de atalhos retóricos. Precisa transformar estabilidade em expansão produtiva, responsabilidade fiscal em ambiente favorável ao investimento e previsibilidade institucional em inovação e eficiência. Esse movimento exige liderança capaz de compreender a complexidade do Estado contemporâneo e conduzi-lo com equilíbrio e visão”.
O texto também exalta a trajetória pública de Ricardo, atribuindo-lhe “preparo técnico” e familiaridade com temas complexos para tomar as decisões que serão necessárias nos próximos anos.
“A trajetória pública de Ricardo Ferraço, construída como vereador, deputado estadual, deputado federal, senador da República e vice-governador por dois períodos, revela preparo técnico e familiaridade com a complexidade decisória que o próximo ciclo exige. Sua experiência representa capacidade de transformar estabilidade em direção estratégica.”
A íntegra do manifesto do UP
O Espírito Santo atravessou, nas últimas décadas, um processo consistente de reorganização institucional que redefiniu sua posição no cenário nacional. A responsabilidade fiscal foi restabelecida, a credibilidade pública foi reconstruída e o Estado recuperou capacidade de planejamento e investimento. Não se trata de retórica, mas de fundamentos que permitiram enfrentar períodos de instabilidade preservando equilíbrio, previsibilidade e confiança.
No interior do Espírito Santo costuma-se dizer que casa que tem alicerce não teme tempestade. A sabedoria popular traduz uma verdade estrutural: quando os fundamentos são sólidos, os ventos não desorganizam a obra. E é justamente quando os alicerces estão firmes que surge uma nova exigência: não apenas resistir e avançar, mas elevar o patamar.
A política não se move por inércia. Conquistas estruturais, quando consolidadas, deixam de ser diferencial e passam a ser pressuposto. O tempo impõe desafios mais complexos e exige que estabilidade se converta em desenvolvimento, que equilíbrio fiscal produza competitividade e que maturidade institucional gere inovação e inclusão social sustentável.
É nesse ponto que a renovação precisa ser tratada com seriedade. Renovação não é atributo etário nem peça publicitária; manifesta-se quando experiência se transforma em direção estratégica e distingue projetos de Estado de iniciativas movidas por ambição circunstancial.
O Espírito Santo não precisa de improvisações nem de atalhos retóricos. Precisa transformar estabilidade em expansão produtiva, responsabilidade fiscal em ambiente favorável ao investimento e previsibilidade institucional em inovação e eficiência. Esse movimento exige liderança capaz de compreender a complexidade do Estado contemporâneo e conduzi-lo com equilíbrio e visão.
Há momentos em que a política se organiza em torno de nomes; e há aqueles em que precisa se organizar em torno de projetos de Estado. A Federação União Progressista — formada pelo Progressistas e pelo União Brasil — entende que o poder não é fim em si mesmo, mas instrumento de realização coletiva e compromisso com desenvolvimento sustentável.
A trajetória pública de Ricardo Ferraço, construída como vereador, deputado estadual, deputado federal, senador da República e vice-governador por dois períodos, revela preparo técnico e familiaridade com a complexidade decisória que o próximo ciclo exige. Sua experiência representa capacidade de transformar estabilidade em direção estratégica.
Ao refletirmos sobre o momento que atravessamos, o verso de Milton Nascimento, que titula este manifesto, surge como síntese natural: o reconhecimento de que o Espírito Santo está diante de uma etapa mais exigente e mais ambiciosa de desenvolvimento.
Alinhada ao interesse público e à construção do futuro, a Federação União Progressista decide apoiar a pré-candidatura de Ricardo Ferraço ao Governo do Estado do Espírito Santo, convicta de que o próximo ciclo requer experiência transformada em direção e compromisso político orientado pelo futuro.