Os dirigentes da Federação União Progressista anunciarão, nesta segunda-feira (23), oficialmente, o apoio à candidatura de Ricardo Ferraço (MDB) para governador do Espírito Santo e a Renato Casagrande (PSB) para uma das duas vagas em disputa no Senado pelo Estado. Em outras palavras, essa poderosa federação partidária, formada por União Brasil e Progressistas (PP), estará mesmo na coligação e no palanque de ambos durante as eleições deste ano.
Conforme antecipamos aqui, a decisão já está tomada desde o fim de fevereiro, mas o anúncio oficial, com a presença de Ricardo, será feito na tarde desta segunda-feira, às 13h30, no auditório do Palácio do Café, na Enseada do Suá. Faltavam alguns últimos ajustes. Agora, não falta nada.
Numa disputa majoritária, a chegada de qualquer aliado é sempre muito importante para uma coligação. Neste caso, a importância é ainda maior, proporcional ao peso da chamada “superfederação”.
Fruto da união de dois partidos de direita que já tinham grande porte, essa federação já nasceu com a maior bancada da Câmara dos Deputados (mais de cem parlamentares). Consequentemente, tem muitos recursos do Fundo Eleitoral para financiar campanhas, além de grande capilaridade pelo Estado, com um exército de deputados, prefeitos e vereadores filiados a PP e União Brasil.
Agora, esse peso será todo colocado a serviço da reeleição de Ricardo em outubro e do retorno de Casagrande ao Senado – ou quase todo, à exceção do deputado federal Evair de Melo (PP), que apoia para governador o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), adversário do Palácio Anchieta. Evair será liberado pela direção estadual para fazer seus próprios movimentos na eleição majoritária.
Falando em “direção estadual”, fundamental para essa decisão do UP de “fechar” com Ricardo e Casagrande foi a condução de Marcelo Santos, presidente do União Brasil no Espírito Santo desde 2025, e, principalmente, de Josias da Vitória. O deputado federal não só é presidente estadual do PP como dirige a “superfederação” no Estado.
Apesar de “ter um pé na canoa de Pazolini” – o PP participa da administração do prefeito de Vitória, sendo inclusive o partido da vice-prefeita, Cris Samorini –, Da Vitória intensificou, nos últimos meses, o diálogo eleitoral com Ricardo e com Casagrande. Desde os tempos de Assembleia Legislativa, o deputado sempre foi um bom aliado do atual governador.
Vale lembrar que o PP esteve na coligação de Casagrande em sua reeleição em 2022. Além disso, desde janeiro do ano passado, Marcos Soares (PP), um aliado de Da Vitória, indicado pessoalmente por ele, comanda a Secretaria Estadual de Saneamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano (Sedurb), no governo Casagrande.
Até o início deste ano, Da Vitória também manteve, ou tentou manter, diálogo com a frente de Pazolini sobre uma possível aliança eleitoral. Reuniões foram realizadas – muito mais com o presidente estadual do Republicanos, Erick Musso, do que propriamente com o prefeito. Pelo que a coluna apurou, Da Vitória sentiu falta de abertura para que esse diálogo pudesse fluir melhor… uma abertura que ele encontrou por parte de Ricardo e Casagrande.
Da Vitória e o Senado
Agora, atenção: crescem consideravelmente as chances de o próprio Da Vitória se tornar o segundo candidato a senador nessa mesma coligação, que já tem o PSB de Casagrande, o MDB de Ricardo Ferraço, o Podemos, o PDT e outras siglas menores.
Se isso se confirmar, a chapa governista terá Ricardo Ferraço na cabeça e Casagrande e Da Vitória como os dois candidatos ao Senado. Quem pode dar um passo atrás é o prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio (MDB), hoje também pré-candidato a senador pelo mesmo grupo. Faltará definir o vice-governador.
De todo modo, é praticamente certo: com sua chegada oficial, a Federação União Progressista terá um lugar certo na chapa, seja com um candidato a senador, seja com o candidato a vice-governador de Ricardo. Mas essa segunda opção parece pouco, a julgar pela importância da federação.
Por seu porte e influência política, a federação liderada por Da Vitória tem cacife para pleitear a segunda candidatura ao Senado, como contrapartida pelo apoio. E é aí que aumentam muito as probabilidades de o próprio Da Vitória ser contemplado, após ter batido na trave em 2022. Naquele ano, ele quis ser candidato a senador pelo PP, na coligação de Casagrande, mas desistiu porque não teve o apoio do governador, que preferiu apoiar Rose de Freitas (MDB).
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