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Quem são os quatro novos vereadores da Serra
Escrito por Vitor Vogas

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No sentido da leitura: Marcelo Leal, Thiago Peixoto, Wilian da Elétrica e Sergio Peixoto
No sentido da leitura: Marcelo Leal, Thiago Peixoto, Wilian da Elétrica e Sergio Peixoto

Um médico de meia idade de Serra Sede; um servidor público aposentado e idoso do mesmo bairro; um líder comunitário de Serra Dourada 2 e outro de Cidade Continental. Em primeira mirada, Thiago Peixoto (PSol), Sergio Peixoto (PDT), Wilian da Elétrica (PDT) e Marcelo Leal (MDB) têm partidos, origens e histórias bastante diferentes.

De fato, há pouquíssimo em comum entre eles, mas três fatos encadeados os unem no mesmo acontecimento político nesta segunda-feira (2):

1) Nas eleições municipais a vereador da Serra em 2024, os quatro não conseguiram se eleger, mas ficaram como suplentes das respectivas chapas;

2) No último dia 23 de setembro, quatro vereadores eleitos pelas respectivas chapas foram afastados dos mandatos por decisão judicial, em ação criminal movida pelo MPES, sob a acusação de terem praticado o crime de corrupção passiva. Foram eles: o então presidente da Câmara, Saulinho da Academia (PDT), Teilton Valim (PDT), Cleber Serrinha (MDB) e Wellington Alemão (Rede);

3) Como prevê o Regimento Interno da Câmara da Serra, passados 120 dias desde o afastamento do titular, o suplente deve ser convocado pela Mesa Diretora. O prazo em questão foi atingido no dia 21 de janeiro. Por isso, o presidente interino da Casa, William Miranda (União), convocou os quatro suplentes para tomar posse nesta segunda-feira (2), primeiro dia do ano legislativo. A resolução foi publicada no Diário Oficial da Câmara na última segunda-feira (26).

Thiago Peixoto (PSol) é suplente de Wellington Alemão (Rede). Sergio Peixoto (PDT) assume a vaga de Teilton Valim (PDT). Wilian da Elétrica (PDT) entra no lugar de Saulinho da Academia (PDT), enquanto Marcelo Leal (MDB) substitui Cleber Serrinha (MDB).

Agora, os quatro se preparam para efetivamente assumir e exercer o mandato até o fim da atual legislatura – a menos que alguma futura decisão judicial devolva aos cargos os quatro titulares afastados. Por isso, apresentamos abaixo um miniperfil de cada um dos “vereadores entrantes”. Eles respondem quais serão as prioridades do mandato.

Thiago Peixoto (PSol): pioneirismo e ineditismo

Criado em Serra Sede, Thiago Peixoto, 40 anos, nunca exerceu mandato eletivo. É auditor fiscal efetivo da Prefeitura da Serra e médico. De manhã, dá expediente na Secretaria de Desenvolvimento Urbano; de tarde, atende crianças nas unidades regionais de saúde de Serra Sede e Jacaraípe, como servidor terceirizado.

Presidente do PSol na Serra, ele será não só o primeiro vereador do partido na história do município como também o primeiro vereador em qualquer cidade capixaba além de Vitória. Também será o primeiro homem gay assumido com lugar no plenário da Câmara da Serra. E, como faz questão de frisar, será o único vereador de esquerda entre os 23 da atual legislatura.

Thiago diz chegar à Câmara consciente da responsabilidade intrínseca a seu pioneirismo. Sobre sua orientação sexual, afirma: “Só de eu estar lá, será um avanço. Buscarei principalmente evitar o retrocesso, os ataques que ocorrem lá, as provocações”.

Entre as pautas que pretende levar para seu mandato, o psolista destaca a defesa dos direitos dos trabalhadores, especificamente dos servidores públicos; a defesa dos direitos das pessoas com deficiência; a valorização da cultura e do turismo; a defesa do SUS; e o combate à corrupção, inclusive no próprio Legislativo Municipal, dado o contexto em que ele assumirá o mandato.

Logo na sua primeira semana no cargo, ele pretende fazer um “protocolaço”, apresentando uma série de projetos de lei.

Sergio Peixoto (PDT): acumulador de mandatos

Aos 78 anos, Sergio Peixoto pode ser considerado um “fenômeno de longevidade política”. Já detém a impressionante marca de oito mandatos exercidos na Câmara da Serra e, agora, está indo para o nono – ampliando, assim, seu recorde. Entre todas as Câmaras da Grande Vitória, ninguém acumula mais mandatos que ele. Entre os políticos em atividade, é o único remanescente daquela Serra agrária e despovoada, antes do boom industrial iniciado nos anos 1970.

Após passar a infância e a juventude como pequeno agricultor em Serra Sede, onde mora até hoje, chegou à Câmara da Serra em 1972, pela Arena (e lá se vão 54 anos…). Desde então, emendou mandatos na Casa. Até 2004, foram sete ininterruptos.

Nesse período, iniciou o pagamento de remuneração aos vereadores (em 1975, como presidente), comandou o colégio responsável pela elaboração da Lei Orgânica Municipal (promulgada em 1990) e viu a ascensão de um jovem médico que protagonizaria a política serrana nas décadas seguintes (no fim dos anos 1980, foi colega de plenário de Sérgio Vidigal).

Em seu sétimo mandato (2001-2004), foi líder de Vidigal na Câmara. Depois de 2004, sua trajetória sofreu um longo hiato. Mas, em 2020, ele conseguiu voltar à Casa de Leis, para o oitavo mandato. À frente da Prefeitura, lá estava novamente Vidigal, e ele mais uma vez foi seu líder em plenário.

Político de bastidores, Peixoto fará parte da base do prefeito e correligionário Weverson Meireles (PDT) e diz como pretende conduzir o novo (e nono) mandato:

“Sou aquele político que vive no meio do povo, ouvindo o povo, conversando com o povo. Chego a dizer para algumas pessoas: se a política fosse um automóvel, o vereador seria o para-choque.”

Com ensino médio incompleto, ele é servidor estadual aposentado.

Wilian da Elétrica (PDT): fiscalização dos gastos

Wilian da Elétrica tem 46 anos. Nascido em Resplendor (MG), veio criança para a Serra e foi criado no bairro Jardim Tropical. Hoje reside em Cidade Continental, mas mantém seu comércio no ramo que se deduz de seu nome de urna: é eletricista automotivo, profissão que, segundo ele, exerce há 35 anos – sim, começou aos 11 anos. Tem ensino fundamental incompleto. Atualmente preside a associação de moradores do Setor América de Cidade Continental, na região da Grande Anchieta.

Wilian já exerceu um mandato na Câmara da Serra: eleito em 2020 pelo PDT, apoiando o retorno de Sérgio Vidigal à Prefeitura da Serra, foi vereador da base aliada de 2021 a 2024. Durante todo o mandato, presidiu a poderosa Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), pela qual passam todos os projetos de lei.

Antes, havia tentado duas vezes, sem sucesso, chegar ao Parlamento Municipal, ambas pelo PCdoB: em 2012, apoiando Vidigal (derrotado por Audifax Barcelos), e em 2016, apoiando Audifax (que derrotou Vidigal).

Na eleição de 2024, pelo PDT, apoiou o correligionário Weverson Meireles, agora prefeito. Fará parte de sua base na Câmara.

“Vamos defender a população da melhor forma possível na saúde e na segurança, e dar continuidade aos serviços que exerci nesses quatro anos”, diz o pedetista, citando seu projeto de pagamento de um auxílio-aluguel pela Prefeitura da Serra a mulheres vítimas de violência doméstica, o qual ele apresentou no mandato passado e virou lei municipal. “Vamos ouvir os moradores e atender aos anseios deles da melhor forma possível junto ao Poder Público”, completa.

Wilian também pretende fiscalizar o que chama de “gastos abusivos” realizados pela gestão do presidente afastado da Câmara e colega de partido, Saulinho da Academia – cuja vaga ele assume.

Marcelo Leal (MDB): líder comunitário

Marcelo Leal tem 44 anos. Assim como Thiago Peixoto, é estreante em mandatos políticos. Cresceu na Serra, na região de Carapina. Hoje, mora no Civit I. Com o ensino médio completo, define-se como um “empreendedor”: ajuda pessoas da sua comunidade a vender e alugar imóveis. Desde 2022, é o presidente da associação de moradores do bairro Serra Dourada 2. Reeleito em 2025, está no segundo mandato à frente da entidade.

Em 2020, em sua primeira empreitada eleitoral, pelo Solidariedade, teve 703 votos para vereador. Em 2024, já no MDB, alcançou 1.956. Segundo ele, 70% dos seus votos foram obtidos na região do Civit, que abrange 16 bairros, entre os quais Serra Dourada 2. Assim como seu partido, ele apoiou a candidatura do atual prefeito, Weverson Meireles (PDT), de quem será aliado na Câmara.

“Quero assumir o mandato para contribuir com o crescimento da cidade. Por eu vir do movimento comunitário e já militar nessa causa há algum tempo, minha principal bandeira serão as demandas da comunidade que surgem no dia a dia, a necessidade de atendimento das pessoas. Vou honrar os votos que recebi nas urnas e dar a minha contribuição, levando as demandas das pessoas e dando as respostas, que é o que elas esperam de nós.”

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