Golpistas usavam promessa de cesta básica para roubar aposentados no ES
Escrito por Rodrigo Gonçalves
22 de agosto de 2025
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Antônio Orlando Lima dos Santos, de 45 anos, Miriam Oliveira Lovate Silva, de 42, e Ricardo Lopes Castelani, de 44, foram presos suspeitos de aplicar o “golpe da cesta básica” contra aposentados no Espírito Santo. Foto: Reprodução/Sesp
Três suspeitos foram presos pela Polícia Civil do Espírito Santo, acusados de aplicar o chamado “golpe da cesta básica” contra aposentados e pensionistas. Os detidos foram identificados como Antônio Orlando Lima dos Santos, de 45 anos, Miriam Oliveira Lovate Silva, de 42 anos, e Ricardo Lopes Castelani, de 44 anos.
O esquema começava por telefone. Os criminosos ligavam para as vítimas dizendo que elas tinham sido contempladas com uma cesta básica, medicamentos de uso contínuo ou até mesmo um vale-gás.
Para ganhar confiança, marcavam uma visita e entregavam os supostos benefícios. Em alguns casos, levavam alimentos ou até dinheiro como se fosse um vale-gás. O objetivo era convencer os idosos de que se tratava de uma ação social verdadeira.
A etapa do cadastro
Na sequência, exigiam que as vítimas fizessem um cadastro. Pediam documentos e fotos, inclusive selfies com o documento em mãos. Esse material era usado em sistemas de reconhecimento facial de bancos digitais.
Com os dados em mãos, abriam contas em nome dos idosos, contratavam empréstimos consignados, antecipavam o 13º salário e tentavam abrir novas contas para obter mais crédito. Os descontos recaíam diretamente sobre a aposentadoria ou pensão.
Alvos em situação de vulnerabilidade
As vítimas identificadas até agora são todas pessoas com mais de 60 anos, recebendo entre um e dois salários mínimos. Muitas só descobrem o golpe semanas ou meses depois, quando os descontos começam a aparecer nos extratos do INSS.
O delegado Gabriel Monteiro, chefe do Deic, contou que os criminosos tinham grande poder de convencimento. “Em uma das casas, as vítimas chegaram a preparar um café da manhã para recebê-los”, relatou. Já o delegado Fabiano Alves, da Defa, destacou que o prejuízo é progressivo: “a cada mês que passa, aumenta o valor descontado das aposentadorias”.
Questão de direitos e indenização
O caso reacende o debate sobre a proteção dos direitos de idosos em situação de vulnerabilidade. Especialistas lembram que o Estatuto do Idoso prevê medidas contra abusos financeiros e defendem que os bancos, ao liberar empréstimos sem checagem rigorosa, podem ser responsabilizados.
Para advogados, além da punição criminal, é necessário discutir a reparação financeira. “Descontar 30% ou 40% de quem vive com pouco mais de um salário mínimo é uma violação grave de direitos”, afirmou um especialista em direito do consumidor.
Prisões e próximos passos
Os três suspeitos, vindos do Rio de Janeiro, confessaram participação nos golpes realizados em junho e agosto. Eles também apontaram a existência de um quarto integrante que segue sendo procurado.
A Polícia Civil alerta que novas vítimas podem surgir, já que muitos descontos ainda não apareceram nos benefícios. Até agora, nenhuma instituição financeira procurou os investigadores para colaborar. O caso deve mobilizar órgãos de defesa do consumidor e do idoso para garantir não só a responsabilização dos criminosos, mas também a reparação dos danos sofridos pelas vítimas.
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