Professor do ES é indiciado após usar a mesma agulha em teste com 43 alunos
Escrito por Rodrigo Gonçalves
30 de junho de 2025
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Exame de sangue no dedo de farmácias detecta dengue. Foto: FreePik
Um professor de 35 anos foi indiciado pela Polícia Civil após usar a mesma agulha em 43 alunos durante uma aula prática em uma escola estadual de Laranja da Terra, no interior do Espírito Santo.
O objeto foi utilizado para furar o dedo e coletar gotas de sangue, normalmente em testes rápidos feitos por profissionais de saúde com materiais descartáveis.
Alunos buscaram atendimento médico após a aula
O caso foi registrado no dia 14 de março, quando o pai de uma aluna procurou a delegacia. Ele relatou que o professor realizou uma aula sobre tipagem sanguínea e utilizou o mesmo objeto perfurante em diversos alunos, higienizando apenas as mãos dos estudantes com álcool 70%.
Após o episódio, dezenas de alunos procuraram a Unidade Básica de Saúde do município, preocupados com possíveis riscos de contaminação.
Durante o inquérito, o professor confirmou que fez o procedimento nos dias 13 e 14 de março. Segundo ele, a lanceta, feita de metal, era higienizada entre os usos com água corrente, água destilada e álcool 70%.
Escola não autorizou a prática e não tinha material adequado
De acordo com o delegado Guilherme Eberhard Soares, responsável pelo caso, a diretora da escola informou que o professor não tinha autorização da equipe pedagógica para realizar a atividade. A escola também não possuía materiais descartáveis nem estrutura para esse tipo de procedimento, que exige autorização formal da direção e dos responsáveis pelos alunos.
Ainda segundo o delegado, estudantes ouvidos na investigação confirmaram que a mesma agulha foi usada em todos, sem que os pais tivessem sido informados ou autorizassem a atividade.
Testes deram negativos, mas houve risco real
A Vigilância Epidemiológica do município acompanhou o caso e realizou testes rápidos para sífilis, hepatites B e C e HIV em todos os alunos e no professor. Todos os exames deram resultado negativo até o momento.
Mesmo sem confirmação de infecções, o delegado explica que o crime está configurado. “O delito de perigo concreto não exige que haja dano efetivo, mas sim a criação de uma situação real e iminente de risco, o que ocorreu com o uso da mesma lanceta sem a devida esterilização”, destacou.
Caso segue para o Ministério Público
O inquérito concluiu que a conduta do professor gerou risco direto à saúde dos estudantes. A Polícia Civil considerou que tanto a materialidade quanto a autoria do crime estão comprovadas.
O procedimento foi encaminhado ao Ministério Público e ao Poder Judiciário, que vão analisar o caso e decidir se oferecem denúncia formal contra o professor.
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