Três mandantes de crime na Serra seguem foragidos; entenda

Seis envolvidos no crime já foram presos, incluindo uma advogada que escondia armas e munições

Por Redação
Sérigo Raimundo, Carlos Alberto e Ryan Alves seguem foragidos | Foto: Divulgação/PCES

Os três mandantes do crime que resultou na morte de Alice Rodrigues, de 6 anos, em Balneário de Carapebus, na Serra, no último domingo (24), foram identificados como integrantes do alto escalão da facção criminosa Primeiro Comando de Vitória (PCV) e, segundo a polícia, estão foragidos no estado do Rio de Janeiro

De acordo com o delegado Rodrigo Sandi Mori, chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, os foragidos são:

  • Sérgio Raimundo, conhecido como Serginho Kauê, líder do tráfico nos bairros Industrial Viana e São Diogo, na Serra. Ele ocupa posição de destaque na hierarquia do PCV.
  • Carlos Alberto, conhecido como Bequinha, ex-integrante do Terceiro Comando Puro (TCP), que migrou para o PCV e passou a atuar em conjunto com Sérgio. Segundo a investigação, ele foi o responsável por coordenar a maioria dos ataques registrados em Nova Almeida entre 2023 e 2024.
  • Ryan Alves Cardoso, conhecido como R7, apontado como chefe do tráfico no loteamento do bairro Lagoa de Carapebus.

 

“Todos os três possuem mandados de prisão por homicídios ocorridos na Serra. Fugiram para o Rio de Janeiro por medo de serem presos no Espírito Santo, mas continuam dando ordens para novos ataques, tentando expandir os territórios de atuação do PCV. São eles que financiam o armamento e as munições para esses ataques, vindo do estado do Rio de Janeiro”, afirmou o delegado.

Seis suspeitos já foram presos

No dia do crime, seis suspeitos de envolvimento foram presos. Entre eles:

  • Marlon Furtado Castro, que comanda a região das Casinhas, no bairro Bicanga;
  • Maik Rodrigues Furtado, que lidera o tráfico no bairro Novo Horizonte, na região do Canguru.

 

Ambos são considerados figuras de confiança do PCV no Espírito Santo. Segundo a polícia, eles atuaram como intermediários do crime, responsáveis por identificar o alvo, selecionar os executores e fornecer armas e munições.

“Eles planejaram o crime, identificaram o alvo, escolheram os soldados que iriam nos ataques e forneceram as armas de fogo e munições. Eles tinham um alvo específico para ser executado nesse dia”, explicou o delegado.

Também foi presa Marina de Paula dos Santos, advogada e companheira de Marlon. Ela, segundo as investigações, seria responsável por esconder armas e munições em sua residência. Na casa dela foram apreendidas 100 munições de calibre 9mm, 20 munições de fuzil calibre 5.56, cocaína embalada, pinos vazios para embalagem da droga e uma caderneta com anotações do tráfico.

Munições apreendidas pela polícia | Foto: Divulgação/PCES

Outros envolvidos

Outro preso foi Arthur Folli, que atuou como olheiro no dia do crime. Ele afirmou em depoimento que receberia R$ 100 de Marlon e Marina para monitorar a movimentação de viaturas da Polícia Militar entre os bairros Novo Horizonte e Carapebus.

Pedro Henrique dos Santos foi um dos quatro executores do atentado. Ele foi preso pela Força Tática logo após o crime. Os outros três envolvidos já foram identificados e tiveram mandados de prisão expedidos.

Izaque de Oliveira Moreira também está entre os envolvidos. Ele era o responsável por dar fuga aos atiradores caso o plano falhasse. De acordo com a polícia, após o atentado, Pedro Henrique entrou em contato com Izaque, que foi até as Casinhas para resgatá-lo. Eles acabaram sendo interceptados pela Força Tática; Pedro portava um revólver calibre .38 no momento da abordagem.

O crime

Segundo a investigação, a família de Alice havia ido até a praia em Balneário de Carapebus. No mesmo bairro, acontecia um festival de pipas, onde estaria o alvo dos criminosos.

Os quatro executores em um Fiat Argo circularam pelo bairro procurando o alvo, mas não o encontraram. Ao deixarem o local, colidiram com o carro da família de Alice, um Peugeot preto, e o confundiram com o veículo do alvo, um Renault Kwid preto.

Do interior do Fiat Argo, os criminosos iniciaram os disparos. Eles só pararam quando o pai da criança desembarcou e pediu para cessarem os disparos.

Momento da fuga:

 

Após o crime, o grupo abandonou o veículo e deixou uma granada no local.

“Eles iam detonar a granada ali para mostrar o poder de fogo do PCV e sinalizar que eles não iriam sossegar enquanto não tomassem o tráfico de drogas naquele bairro”, detalhou o delegado.

Alice foi atingida com um tiro na nuca e morreu na hora. A mãe, grávida, foi atingida por estilhaços, e o pai levou um tiro de raspão nas costas.

Autuações

Os presos foram autuados por homicídio qualificado com cinco agravantes: motivo torpe; perigo comum; impossibilidade de defesa da vítima; uso de arma de fogo de uso restrito e vítima menor de 14 anos. Eles também foram autuados em flagrante por dupla tentativa de homicídio, com as mesmas qualificadoras.

Pedro Henrique foi ainda autuado por porte ilegal de arma de fogo de uso permitido e resistência à prisão. Izaque de Oliveira também foi autuado por porte ilegal de arma de fogo de uso permitido. Marlon e Marina, além das demais acusações, responderão por posse de munições de uso restrito, devido à apreensão de munições de calibre 9mm e 5.56 em sua residência.

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