
Servidores aprovaram greve em assembleia geral do Sindipúblicos (31/09/2025)
Cerca de 3,8 mil servidores do Governo do Estado entraram em greve oficialmente nesta terça-feira (7). Eles representam 32 carreiras ativas do funcionalismo público estadual, distribuídas por três secretarias e 11 órgãos públicos – aquelas que compõem a base do Sindipúblicos. Na pauta do movimento, as principais reivindicações são a reestruturação das carreiras e a correção das perdas salariais acumuladas. A paralisação é por tempo indeterminado.
A greve envolve principalmente servidores de áreas técnicas, ligadas à gestão e voltadas para a formulação, o planejamento e a execução de políticas públicas do Governo do Estado para a população.
Segundo a presidente do Sindipúblicos, Renata Setúbal, o sindicato apresentou ao governo, há cerca de seis meses, uma proposta com as seguintes reivindicações:
. Reajuste linear de 35% para os servidores das 32 carreiras integrantes da base do Sindipúblicos. Segundo a presidente do sindicato, de 2002 a 2024, as categorias acumulam uma perda salarial de 50%;
. Maior equilíbrio entre os salários de servidores de nível médio, técnico e superior. “Hoje, há uma grande disparidade em função do grau de escolaridade”, afirma Setúbal. Nesse sentido, o sindicato pede: (i) que o servidor de nível técnico ganhe 70% do que ganha o de nível superior (hoje ganha 49%, de acordo com o Sindipúblicos); (ii) que o servidor de nível médio ganhe 50% do que ganha o de nível superior (hoje ganha 35%, pelos cálculos do sindicato).
“Em 2008, o governo fez um plano de cargos e salários que beneficiou só o nível superior, então os salários se descolaram muito. O que estamos pedindo é uma forma de voltar a gerar maior equilíbrio, em conformidade com a política nacional”, argumenta a presidente do sindicato.
A greve foi aprovada, por unanimidade, em assembleia geral unificada realizada na sede do Sindipúblicos, no Centro de Vitória, na última terça-feira (30), com a participação de mais de 300 servidores presencialmente e outros 350 de maneira remota.
O Sindipúblicos informa que seguirá todos os trâmites legais estabelecidos pela lei estadual que disciplina o exercício do direito à greve para servidores do Estado, como prazos e percentuais mínimos de servidores dando expediente.
Em nota, o Governo do Estado informa que “a análise das demandas segue sendo feita com responsabilidade, sempre respeitando os limites orçamentários e fiscais”. Além disso, “reafirma seu compromisso com a transparência e permanece aberto ao diálogo e à construção de soluções equilibradas”.
Quem aderiu à greve
Aderiram à greve os servidores dos 14 órgãos públicos estaduais e secretarias de Estado que integram a base do Sindipúblicos, sindicato que organizou a paralisação. São eles:
- Arsp
- DER-ES
- Detran-ES
- Diário Oficial
- Iases
- Idaf
- Iema
- Incaper
- IPAJM
- Ipem
- Junta Comercial
- Secretaria de Estado de Gestão e Recursos Humanos (Seger)
- Secretaria de Estado da Cultura (Secult)
- Secretaria de Estado da Educação (Sedu)
No caso da Sedu, a greve só inclui servidores efetivos da área administrativa (secretarias escolares), que são vinculados ao Sindipúblicos. Não envolve os profissionais do magistério, organizados em outro sindicato (o Sindiupes).
A duração da greve e a condição para acabar
Segundo Renata Setúbal, os servidores decidiram entrar em greve como uma forma de pressionar o governo a retomar as negociações sobre a pauta de reivindicações apresentada pelo Sindipúblicos há cerca de seis meses, até agora sem resposta oficial.
“O governo sempre dialoga com a gente e está aberto para conversas, mas as negociações travaram. Estamos há seis meses sem resposta. Pela lei estadual que rege a greve, o governo tinha um mês para nos dar uma resposta, de modo que todos os prazos já estão expirados. Então declaramos a greve para a negociação poder voltar à mesa. O que estamos esperando é uma contraproposta do governo para darmos continuidade”, explica a líder sindical.
Na última segunda-feira (6), representantes dos servidores foram recebidos pelo vice-governador Ricardo Ferraço (MDB), que ficou de levar ao Sindipúblicos uma proposta oficial em nome do governo.
“A reunião foi boa”, avalia Setúbal. “O vice-governador se comprometeu a mediar e nos apresentar uma proposta. Não temos interesse em prolongar a greve, mas em negociar, até porque, daqui a poucos meses, devido à legislação eleitoral, o governo não poderá mexer em cargos e salários.”
Segundo a presidente do Sindipúblicos, se o Governo do Estado apresentar uma proposta hoje, uma nova assembleia será convocada para amanhã. “Assim que tivermos uma proposta, vamos botar em votação na assembleia para decidir sobre ela. E, se a assembleia aprovar a proposta, encerraremos a greve”, ratifica a sindicalista.
De todo modo, com ou sem proposta, já há uma nova assembleia geral marcada para a próxima sexta-feira (10), às 9h30, na sede do Sindipúblicos, em modelo híbrido, para avaliação do movimento.
Argumentos: “Ajudamos este estado a crescer. Agora queremos a nossa fatia do bolo”
Um dos argumentos usados pelos grevistas é que o governo Casagrande já deu, recentemente, aumentos diferenciados para algumas categorias específicas, como professores e operadores da segurança pública. “Vamos lembrar que somos os últimos da fila.”
Outro ponto é que, segundo o Sindipúblicos, haveria margem para que o governo ampliasse o seu percentual de gasto com folha de pagamento. Hoje, pelas contas do sindicato, o Executivo Estadual gasta 35,5% da receita corrente líquida anual do Estado com pessoal. Pela Lei de Responsabilidade Fiscal, precisaria gastar 44,1% para bater no limite de alerta.
Ainda segundo as contas do Sindipúblicos, se a proposta do sindicato (exposta acima) fosse plenamente atendida, isso representaria um acréscimo da ordem de 1,1 ponto percentual no gasto anual do governo com pessoal. “Isso não chega nem próximo do alerta para o Estado perder a nota A+ [atribuída pela Secretaria do Tesouro Nacional]. Então o Estado ainda teria margem aí. Fizemos ao governo uma proposta que sabemos que cabe. Não é nenhuma proposta estratosférica. Está bem longe de estragar as contas do governo. E recuperar essas perdas seria muito significativo para os servidores, por uma questão de dignidade”, argumenta Setúbal.
“Muitos anos atrás, o Estado estava com as contas desorganizadas, e o salário do servidor era pago com atraso. Hoje, o Espírito Santo é exemplo para o país. Mas nós, servidores, que tanto contribuímos para a recuperação e a reconstrução deste estado, até hoje não tivemos esse reconhecimento. Ajudamos este estado a crescer. Agora queremos a nossa fatia do bolo. Queremos dignidade. Cinquenta por cento de perda salarial é uma perda muito significativa”, conclui a presidente.
Resposta oficial do Governo do Estado
A Seger enviou à coluna a seguinte nota oficial:
A Secretaria de Gestão e Recursos Humanos (Seger) reforça que o Governo do Estado mantém diálogo aberto e constante com as representações dos servidores públicos. Desde 2019, foram concedidos reajustes lineares à categoria, com exceção dos anos de 2020 e 2021, quando a legislação federal impediu reajustes salariais em todo o país.
Além dos reajustes gerais, a atual gestão adotou diversas medidas de valorização dos servidores, como o aumento do auxílio-alimentação, a atualização dos valores das diárias para viagens a serviço e reajustes de 10% para carreiras em extinção na vacância.
Também é importante destacar que os planos de cargos e carreiras em vigor preveem progressões e promoções, que resultam em aumento de remuneração e impactam diretamente na evolução da folha de pagamento.
A análise das demandas segue sendo feita com responsabilidade, sempre respeitando os limites orçamentários e fiscais. Equipes técnicas realizam estudos permanentes para embasar decisões que conciliem a valorização dos servidores com a sustentabilidade da gestão pública.
O Governo do Estado reafirma seu compromisso com a transparência e permanece aberto ao diálogo e à construção de soluções equilibradas, garantindo a continuidade e a qualidade dos serviços prestados à população capixaba.