
Dólar volta a subir após falas de Bolsonaro no 7 de Setembro e aversão a risco no exterior. Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
A volta do feriado de 7 de Setembro é caracterizada pela deterioração dos ativos domésticos, em um dia de aversão ao risco no cenário internacional e clima de tensão no cenário nacional. Dólar e juros iniciam o dia em alta e o Índice Bovespa futuro, antes da abertura do pregão desta quarta-feira, 8, aponta para um dia negativo para as ações.
Por aqui, pesa a subida de tom do presidente Jair Bolsonaro contra o Judiciário, principalmente no que diz respeito ao anúncio de que o governo não cumprirá decisões do ministro do STF Alexandre de Moraes, o que pode caracterizar crime de responsabilidade do presidente, previsto no artigo 85 da Constituição Federal. Assim, as atenções se voltam ao presidente da Câmara, Arthur Lira, que pode receber novos pedidos de impedimento do presidente nos próximos dias.
No exterior, o dia é negativo para as Bolsas da Europa e para os futuros de Nova York, com investidores renovando os temores de que o avanço da variante delta do coronavírus prejudique a retomada da economia global. Há também expectativa pela reunião de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), na quinta-feira, 9, que poderá trazer alguma novidade em termos de estímulos econômicos.
Às 10h19, o dólar à vista era negociado a R$ 5,2278, em alta de 0,99%. Nos juros, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2023 tinha taxa de 8,68%, ante 8,64% do ajuste de segunda-feira. O DI para janeiro de 2027 projetava 10,39%, contra 10,27% do ajuste anterior. Logo após a abertura do pregão, o Ibovespa recuava 0,43%, aos 117.356 pontos. Em Nova York, os futuros de Dow Jones, S&P500 e Nasdaq tinham perdas em torno de 0,10%.
Na agenda de indicadores do dia, destaque para o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), que registrou queda de 0,14% em agosto, após um avanço de 1,45% em julho. O resultado ficou abaixo da mediana de -0,03% obtida nas estimativas da pesquisa do Projeções Broadcast. Segundo nota divulgada pela Fundação Getulio Vargas (FGV), a deflação pode não significar um alívio generalizado na inflação acumulada nos últimos meses, já que foi puxada por um tombo de 21,39% nos preços do minério de ferro no atacado.
Já o Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S) avançou a 0,91% na primeira quadrissemana de setembro, após 0,71% no fechamento de agosto. A informação foi divulgada há pouco pela Fundação Getulio Vargas (FGV). O indicador acumula alta de 9,04% em 12 meses, maior do que o avanço de 8,95% no período até agosto.