
No sentido da leitura: Aridelmo Teixeira, Patricia Bortolon, Iuri Aguiar e Lorenzo Pazolini.
No Espírito Santo, o Novo já lançou candidato a governador (em 2022), a prefeito de Vitória e de Vila Velha (em 2020), com resultados sempre ruins. Mas nunca elegeu nem sequer um vereador em município algum. Para as próximas eleições municipais, o partido mudou radicalmente o foco: “Eleger vereadores no Espírito Santo passa a ser tratado como prioridade total no partido”. Quem o afirma é Iuri Aguiar, presidente estadual do Novo desde setembro de 2021 e pré-candidato à reeleição em setembro deste ano.
Na última quinta-feira (20), o dirigente abriu à coluna os planos eleitorais do partido, que agora assume uma abordagem muito mais realista e pragmática, a partir de uma série de mudanças estatutárias apoiadas por ele.
Segundo Iuri, o Novo no momento trabalha para formar núcleos em 12 cidades capixabas nas quais pretende disputar as eleições legislativas do ano que vem, lançando chapas de vereadores: Vitória, Vila Velha, Serra, Cariacica, Guarapari, Cachoeiro, Linhares, Colatina, Marilândia, Pinheiros, Castelo e Santa Leopoldina.
Em cada uma delas, em vez de diretórios, serão formadas comissões provisórias. A meta, segundo ele, é eleger pelo menos um vereador em cada uma dessas cidades e quem sabe dois em algumas das maiores, “com muita humildade, sabendo que é muito difícil”. Se alguém se eleger no município, a comissão provisória automaticamente vira diretório municipal. “Queremos fazer o novo crescer no Espírito Santo”, afirma o presidente estadual.
Evidentemente, por se tratar da maior vitrine política do Estado, o Novo dedica especial atenção a Vitória. Na Capital, o partido espera fazer de um a dois parlamentares. Se for aprovado em 2º turno na Câmara de Vitória o projeto que amplia as vagas de 15 para 21, as chances da legenda aumentam, admite Iuri, pragmaticamente, embora o Novo por princípio seja contrário à proposta: “Não apoiamos isso. Repudiamos o aumento do número de vereadores, mas sabemos que vai acontecer”.
Para que a sigla finalmente tenha representação na Câmara de Vitória, a grande aposta do Novo hoje é a engenheira Patricia Bortolon. Professora do curso de Economia da Ufes, ela foi candidata a vice-prefeita de Vitória com o coronel Nylton Rodrigues na chapa puro-sangue do Novo em 2020 e a única candidata do partido a deputada federal no Espírito Santo em 2022, tendo obtido 8.221 votos em 75 municípios capixabas.
“Temos uma líder hoje, que é a Patricia Bortolon. Ela será candidata em Vitória, seja na disputa majoritária, seja à frente da chapa de vereadores do Novo. Por ela ter esse capital eleitoral, é naturalmente a nossa puxadora de votos”, ressalta Iuri.
A parceria com Pazolini
Mas focar na disputa parlamentar não quer dizer que o Novo esteja abdicando de participar da eleição majoritária. Ao contrário, de acordo com o presidente estadual, o partido não quer ficar de fora da eleição para a Prefeitura de Vitória.
Mas há uma grande diferença desta vez, consoante com o maior pragmatismo adotado pelo Novo para 2024: com base nas palavras de Iuri, a agremiação agora não faz questão de participar do pleito como protagonista e está disposta a aceitar o papel de coadjuvante. Vale dizer: o partido até pode lançar mais uma vez candidatura própria à prefeitura – o que, segundo o presidente, não está descartado –, mas a princípio está muito mais propenso a compor uma coligação e apoiar outro candidato.
“A gente entendeu que na campanha a gente não pode sair fazendo o que a gente acha. Qual é o nosso objetivo? Melhorar a vida das pessoas. Se entendemos que estar junto, apoiando outro candidato a prefeito, é bom para a cidade e que temos condições de ajudar, nós vamos para isso. Não queremos exigir protagonismo, muito pelo contrário, queremos estar junto com o que entendemos que é melhor para a cidade”, explica Iuri, dando realce à recente mudança de mentalidade interna:
“Como o Novo está mudando, está em outra realidade, a gente pode vir a compor com outros partidos, entendendo o nosso tamanho e a nossa responsabilidade. Não temos salto alto e entendemos que é importante estar na mesa, para melhorar a vida das pessoas.”
“Vir a compor com outros partidos” significa participar de outra chapa. Especificamente, da chapa de Lorenzo Pazolini (Republicanos). A tendência do Novo hoje é apoiar a reeleição do prefeito, até porque o partido desde março faz parte oficialmente da administração do delegado licenciado, com o retorno de Aridelmo Teixeira à equipe de Pazolini, no cargo de secretário municipal de Governo.
“O Novo está lá oficialmente, fazendo parte do governo Pazolini. E entendemos que o prefeito está fazendo uma boa administração, é um cara sério, pensa como nós, e não está descartada essa possibilidade de vir a apoiá-lo, mas deixando claro que vamos trabalhar para ter o nosso nome próprio”, salienta o presidente estadual.
Se confirmado o apoio do Novo a Pazolini, o foco, então, passa a ser emplacar o/a candidato/a vice-prefeito/a. E aí voltamos ao nome de Patricia Bortolon, como um dos nomes preferenciais: “Patricia se encaixa para o Executivo também. O nome dela está à disposição. Ela tem total capacidade e condições para assumir esse cargo”, elogia Iuri.
O outro potencial companheiro de chapa de Pazolini nas fileiras do Novo é o próprio Aridelmo. Em tese, o secretário pode até lançar candidatura a prefeito, embora essa hipótese, para Iuri, esteja hoje bem distante. Mais provável mesmo é que ele entre na concorrência para completar a chapa de Pazolini.
“Aridelmo tem condição de ser candidato a vice e até a prefeito, mas entendo que neste momento isso não enche os olhos dele. Assim como Patricia, ele tem total apoio do partido para o rumo que quiser seguir”, afirma o dirigente. “Entendo que Aridelmo vai apoiar Pazolini onde ele estiver. Neste momento ele não vislumbra, não tem nenhuma pretensão política. Pelo menos nas conversas comigo, ele não se apresenta como pré-candidato a prefeito.”
Sem convite a Pazolini
Iuri acredita que Pazolini não sairá do Republicanos e, por respeito ao prefeito e ao outro partido, jamais o convidou para se filiar ao Novo. Mas isso não impede o dirigente de encher de elogios o prefeito, em quem diz reconhecer o perfil político do Novo:
“Até por estarmos lá com Aridelmo, seria desrespeitoso da nossa parte convidar o prefeito, que está no Republicanos. Mas as portas estão totalmente abertas. O que o Pazolini faz aqui o nosso prefeito de Joinville [Adriano Silva, do Novo] faz exatamente igual. Se Pazolini tivesse a camisa do Novo, estaríamos muito felizes. Ele tem o perfil total do Novo.”
É mais um eloquente sinal da atual proximidade do partido com o alcaide de Vitória.
Cris Samorini
Quem Iuri, aí sim, quer convidar para o Novo é a presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Cris Samorini, em quem ele também enxerga o perfil do Novo: “Gostaria muito de convidá-la para o Novo e farei isso. Não tive essa oportunidade, mas vou tentar criá-la. Seria um belíssimo nome para os quadros do Novo”.
Luiz Emanuel
Na categoria dos políticos com mandato, quem Iuri gostaria muito de atrair para os quadros do Novo é o vereador Luiz Emanuel Zouain, sem partido e com o “passe livre no mercado” desde que saiu do Cidadania em dezembro passado com a anuência da direção estadual. “Queria muito o Luiz Emanuel. É meu amigo de longa data.”
Veto à esquerda
É um veto previsível devido à total incompatibilidade, mas Iuri Aguiar afiança: o Novo não fará coligação com partidos de esquerda em nenhuma cidade capixaba em 2024. “Não vamos apoiar ninguém da esquerda. Somos oposição ao governo Lula. Não concordamos com o pensamento deles. Essa afirmação eu faço com a maior firmeza.”
Governo Casagrande
Falando em esquerda, como o presidente estadual do Novo avalia o governo Casagrande? “Entendemos que ele poderia ter crescido muito mais para o lado liberal do que está fazendo. Poderia ter um quadro mais técnico, sem desmerecer quem está lá, e valorizar mais a meritocracia. Respeito ele e o governo dele, mas acho que ele está no lado oposto ao nosso.”
Participação feminina
É um ideal difícil de alcançar, praticamente utópico, mas Iuri gostaria de lançar uma chapa de candidatos a vereador em uma grande cidade capixaba com 70% não de homens, mas de mulheres. “Seria extraordinário! É um objetivo a ser alcançado.”
A legislação eleitoral impõe uma cota mínima de 30% para qualquer gênero, não necessariamente para mulheres. Na prática, dadas as condições reais, as mulheres é que acabam ocupando só 30% das vagas.
Para constar, o Novo até pode dizer que lançou uma chapa com 100% de participação feminina à Câmara Federal no Espírito Santo em 2022. Matematicamente, a afirmação está correta. Mas não conta para efeito estatístico, pois a “chapa” foi formada por uma única candidata: Patricia Bortolon.
Nylton Rodrigues
Após ter amargado um resultado muito ruim na eleição passada a prefeito de Vitória, o coronel da reserva da PMES Nylton Rodrigues saiu do Novo no ano seguinte (2021) e, segundo Iuri, não quer mais saber de eleições. “Acho que ele saiu da política.”