
Plenário da Câmara de Aracruz. Foto: site da Câmara
Justificativa: “É muito penoso ser um parlamentar em nossa cidade”
A coluna entrou em contato na noite dessa terça-feira (19) com o presidente da Câmara e autor do projeto, Alexandre Manhães. Por telefone, perguntamos ao presidente por que ele defende a instituição dos benefícios em questão para os vereadores. Por escrito, além da sua justificativa, perguntamos ao chefe do Legislativo de Aracruz como funcionará o pagamento dos benefícios, bem como os respectivos valores e a partir de quando serão pagos. Os questionamentos foram enviados ao presidente via Whatsapp e por e-mail, no endereço informado por ele (mas a mensagem por e-mail voltou porque sua caixa estava cheia). Até o fechamento deste texto, às 22h30 de terça-feira (19), três horas após nosso contato, não obtivemos retorno. Informado do prazo para nossa publicação, o presidente insistiu que só responderia por e-mail, nesta quarta-feira (20). Se o fizer, publicaremos suas explicações. O arquivo do projeto de lei, protocolado no último dia 11 e assinado pelos três membros titulares da Mesa Diretora, é acompanhado de uma justificativa por escrito dirigida aos outros vereadores. Não há uma só palavra sobre benefícios e verbas indenizatórias para os próprios parlamentares. Entretanto, na sessão em que o projeto foi deliberado e votado, em “urgência urgentíssima”, o presidente da Câmara discursou sobre esse ponto do projeto. A gravação da sessão está disponível no canal da Câmara de Aracruz no YouTube. Após uma interpelação do vereador Roberto Rangel, que defendeu as suas emendas – propondo a supressão de tudo o que dizia respeito a “agentes políticos” –, o presidente fez uma defesa veemente dos “tais benefícios”, dizendo se tratar de uma questão de “retratação ao trabalho dos vereadores” e de “dar ao vereador [de Aracruz] o tamanho que nós merecemos”: “Esses benefícios, vamos dizer assim, para os vereadores e futuros vereadores, não são para esta [legislatura] agora, são para futuros vereadores, que não é de uma hora para a outra. Tem duas semanas que este projeto já está na Casa. Então nós temos ambiente para votar. Temos todas as condições para votar. Os vereadores desta Casa estão trabalhando, cada um da sua forma. Então quero aqui defender a empresa que foi contratada, a comissão que trabalhou arduamente nesse projeto. Esse projeto ficou aberto, foi um projeto transparente para que todos pudessem participar da melhor maneira possível, com as suas sugestões e opiniões. Eu quero fazer uma defesa justamente desses tais benefícios aos vereadores. Vocês não sabem como é penoso ser um parlamentar em nossa cidade! As cobranças são inúmeras. Nós temos inúmeras responsabilidades. Temos que dar ao vereador o tamanho que nós merecemos aqui nesta Casa. É por isso que faço a defesa deste projeto. E peço aos vereadores que possam votar contra essas emendas, respeitando o vereador Roberto Rangel, e que hoje não se faça política, mas uma retratação ao trabalho dos vereadores.” O presidente prosseguiu, expondo o que seria o dia a dia do trabalho de um vereador em Aracruz: “A cada beco que nós entramos, a cada situação de sábado e domingo que muitas vezes as pessoas não conhecem o trabalho. São seis horas da manhã, é meia-noite… Quando a pessoa morre, as pessoas precisam de orientação. E é um vereador que se procura. Passamos horas arduamente acompanhando essas e outras situações. Então eu faço jus ao trabalho incansável desses vereadores. […] Os vereadores, a partir de 2025, não é agora… o que está aqui proposto não tem nada de ilegal. Inclusive, o Tribunal de Contas deu parecer favorável a 13º, férias… Outras Câmaras têm. Por que só aqui não?”, disse Manhães, sem mencionar os outros auxílios, de natalidade a funeral. No discurso, o presidente ainda destacou feitos de sua gestão em 2023, como o reajuste do vale-alimentação para os servidores (de R$ 780,00 para R$ 1.035,00), a reforma administrativa da Câmara, a licitação de nove veículos para uso dos vereadores, a atualização do Regimento Interno da Câmara e da Lei Orgânica Municipal de Aracruz (ambos após 33 anos), bem como economia e devolução de R$ 6 milhões para a Prefeitura Municipal neste ano.O que o projeto diz sobre os servidores
De acordo com o site da Câmara de Aracruz, o PL 71/2023 vem “não só para modernizar a estrutura da Casa como também corrigir distorções salariais que persistiam por mais de 30 anos na Casa de Leis, uma vez que servidores com a mesma classificação funcional e atribuições semelhantes tinham remunerações desiguais. Além disso, o projeto traz incentivos para a qualificação e permanência dos servidores, pois quanto mais qualificados e mais tempo de Casa tiverem, mais avançam nas projeções remuneratórias”. Segundo a justificativa anexa ao projeto, o novo plano de cargos e salários “estabelece critérios objetivos para a progressão na carreira dos servidores, tanto horizontal (tempo de serviço) como vertical (mérito), levando ainda em consideração fatores de valorização, qualificação, capacitação, experiência e desempenho dos servidores”. Para a elaboração do plano de cargos e salários e da reforma administrativa da Câmara, a atual gestão contratou uma empresa denominada Instituto de Desenvolvimento e Capacitação de Pessoal (IDCAP).