Quem é a capixaba que queria atuar como delegada do PCC?

Delegada natural do Espírito Santo foi presa em São Paulo suspeita de favorecer o PCC e facilitar o crime organizado

Por Redação
Foto: Reprodução

*Com informações do SBT News

Natural de Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo, Layla Lima Ayub, de 35 anos, delegada da Polícia Civil de São Paulo, foi presa suspeita de envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo as investigações, ela tinha ligação direta com o crime organizado e um plano para infiltrar a facção dentro do estado de São Paulo.

De acordo com o procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio Costa, Layla teria usado seu cargo para acessar informações sigilosas e favorecer o PCC. “Ela estava na missão de, como delegada, ter acesso a sistemas da polícia e informações confidenciais, favorecendo o crime organizado, especialmente o PCC, do qual, segundo informações, era ligada”, afirmou.

A prisão ocorreu em uma pensão no Butantã, zona sul de São Paulo, a cerca de 3 km da academia de polícia frequentada por Layla durante o curso de formação de delegados. O namorado da delegada, Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como Dedel, também foi preso. Ele é apontado como líder do PCC no Norte do país e chegou a ser levado ao Palácio do Governo de São Paulo pela própria delegada, segundo a polícia, demonstrando audácia da organização criminosa.

Aproximação com o PCC começou no Pará

As investigações apontam que a ligação de Layla com o PCC começou durante contatos com líderes criminosos presos em Marabá, Pará. Carlos Gaya, promotor de justiça do Ministério Público de São Paulo, explicou: “Ela mantinha proximidade com lideranças do PCC, facilitando comunicação entre eles e atuando em benefício da organização, não de indivíduos específicos”.

Em 28 de dezembro do ano passado, apenas nove dias após assumir como delegada em São Paulo, Layla atuou como advogada na defesa de um dos integrantes do PCC presos em flagrante em Rondon do Pará, prática proibida pelo Estatuto da Advocacia e pelo Supremo Tribunal Federal para delegados.

Prisão e processo

Após ser presa na manhã de sexta-feira (16), Layla admitiu em depoimento que “deu bobeira” ao atuar como advogada de um integrante de facção dias após tomar posse no cargo público. A declaração foi registrada após a prisão temporária decretada no âmbito da Operação Serpens, deflagrada pelo Ministério Público.

No sábado (17), a audiência de custódia manteve a prisão da delegada e do namorado. O casal permanecerá detido temporariamente por 30 dias, período que pode ser prorrogado por mais 30 dias, respondendo pelos crimes de tráfico de drogas e associação criminosa. O processo tramita em segredo de Justiça.

Trajetória de Layla Lima Ayub

Layla é formada em Direito, com pós-graduações em Direito Penal, Processo Penal e Ciências Forenses. Antes de se tornar delegada em São Paulo, ela atuou como policial militar no Espírito Santo entre 2014 e 2022. Também foi estagiária da Defensoria Pública. Ela se mudou para o Pará após o ex-marido passar no concurso para delegado. Lá, abriu um escritório de advocacia criminal. Em março do ano passado, passou a integrar a Comissão da Criança e do Adolescente da OAB de Marabá.

Atualmente, estava em estágio probatório em São Paulo, período de três anos em que delegados recém-empossados são avaliados antes de adquirirem estabilidade.

As investigações indicam ainda que Layla e o namorado teriam comprado uma padaria em Itaquera, São Paulo, com recursos de origem ilícita.

Segundo Paulo Sérgio Costa, “as informações indicam que ela iria se instalar em São Paulo para facilitar acessos ao crime organizado, reforçando a necessidade de verificação rigorosa para quem ocupa cargos públicos”.

 

 

Veja também

Privacidade

Para melhorar a sua navegação, nós utilizamos Cookies e tecnologias semelhantes.
Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.