Alexei Navalny, principal opositor de Putin, morre em prisão no Ártico russo

Por Rodrigo Gonçalves

O líder da oposição russa Alexei Navalni morreu na prisão nesta sexta-feira, 16, segundo a Reuters. Navalni estava preso em uma colônia penal em Kharp, no Ártico russo, e pouco se sabia sobre o seu exato estado de saúde.

Já a porta-voz de Navalni ainda não confirma a morte do ativista russo. “Ainda não temos qualquer confirmação disso”, disse a porta-voz, Kira Yarmysh, acrescentando que o advogado de Navalni estava se deslocando para a prisão. “Assim que tivermos alguma informação, iremos reportá-la.”

O governo do presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou que não tem nenhuma informação sobre o motivo da morte de Navalni. Ele foi detido pelas forças de segurança de Moscou em janeiro de 2021 depois de retornar da Alemanha, onde havia se recuperado de uma tentativa de envenenamento.

“Em 16 de fevereiro de 2024, no centro penitenciário N°3, o prisioneiro Navalni passou mal após uma caminhada as causas da morte estão sendo determinadas”, afirmou o serviço penitenciário em um comunicado. “Todas as medidas de reanimação necessárias foram tomadas, o que não levou a resultados positivos. Os médicos da ambulância confirmaram a morte do condenado.”

Dmitri Peskov, o porta-voz de Putin, afirmou que a morte foi relatada ao presidente russo, de acordo com o serviço de notícias estatal Tass.

Histórico

Navalni, de 47 anos, era o principal opositor em um país com as instituições aparelhadas pelo presidente Vladimir Putin. Ele ganhou notoriedade ao denunciar supostos esquemas de corrupção em estatais russas. Em 2011, foi uma das lideranças da onda de protestos que denunciava fraude nas eleições parlamentares.

Em 2018, era considerado o único político capaz de derrotar Vladimir Putin nas urnas e foi impedido de disputar a eleição. Uma multidão foi às ruas em protestos convocado pelo líder opositor que acabou detido.

Dois anos depois, quase morreu vítima de um envenenamento enquanto voava da Sibéria para Moscou. Depois de ser atendido em solo russo, ficou internado em Berlim. Os testes feitos na Alemanha identificaram que a presença do agente nervoso da era soviética, Novichok. A descoberta elevou o tom das críticas contra o Kremlin que foi acusado de envenenar o opositor.

No ano passado, Putin rejeitou uma investigação divulgada por vários meios de comunicação, entre eles o site Bellingcat, a rede CNN e Der Spiegel, a qual atribui a responsabilidade do envenenamento ao FSB, os serviços secretos russos, herdeiros da KGB. De acordo com a investigação, baseada na análise de dados por telefone e de vazamento de informação on-line na Rússia, agentes do FSB, especializados em armas químicas, seguiram o opositor desde 2017.

Em 2021, voltou para a Rússia apesar das ameaças de prisão e foi detido no aeroporto de Moscou ao desembarcar. Em agosto de 2023, Navalni foi condenado a passar mais 19 anos em prisão de segurança máxima por organizar, financiar e convocar atividades “extremistas”, crimes que ele negou. A sua condenação foi repudiada por Estados Unidos e União Europeia (UE).

Estado de saúde

O estado de saúde do opositor de Putin sempre foi uma preocupação durante o tempo em que ele ficou detido. Em abril do ano passado, a porta-voz de Navalni, Kira Yarmysh, chegou a afirmar que ele poderia ter ingerido algum veneno de ação lenta, por ter emagrecido 2 kg em pouco mais de duas semanas.

Em dezembro do ano passado, ele foi transferido de prisão sem aviso prévio e seus familiares demoraram mais de duas semanas para encontrarem a localização do novo presidio.

No dia 26 de dezembro de 2023, ele publicou uma carta de sua nova prisão no Ártico russo. “Eu sou o seu novo Ded Moroz”, escreveu Navalni, referindo-se à versão russa do Papai Noel. “Tenho um casaco de pele de carneiro, um chapéu com abas para as orelhas; devo receber botas de feltro em breve e deixei crescer a barba durante o trânsito de 20 dias.” Mas, acrescentou, “o principal é que agora vivo acima do Círculo Polar Ártico”./AFP e NYT

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