O banho de mar foi a escolha de muitos capixabas para amenizar o calor intenso registrado na Grande Vitória no último fim de semana. Mas, além das águas geladas nas praias de Guarapari, Vila Velha e Vitória, os banhistas também precisaram lidar com a grande quantidade de águas-vivas no litoral. Em Setiba, por exemplo, crianças foram vítimas do contato com esses animais marinhos.
Além de chamar a atenção de quem frequenta as praias, a presença de águas-vivas acende o alerta para os cuidados no mar durante o verão. O fenômeno, comum nesta época do ano, está ligado a fatores ambientais e ao ciclo reprodutivo desses animais.
As explicações são do biólogo e mestre em Biologia Animal pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Daniel Gosser Motta. Segundo ele, o verão cria um cenário favorável ao aumento da ocorrência de águas-vivas no litoral capixaba. A elevação da temperatura da água, somada à ação de correntes marítimas e ventos que sopram em direção à costa, contribui para que esses animais se aproximem das praias.
“Com o verão, a elevação da temperatura da água, aliada às correntes marítimas e aos ventos que sopram em direção à costa, além do período reprodutivo, cria um ambiente favorável à reprodução das águas-vivas e ao aumento da ocorrência desses animais ao longo da nossa costa”, explicou.
O aumento da temperatura da água, somado às correntes e ventos que sopram em direção à costa, contribui para a aproximação das águas-vivas às praias. Outro fator determinante é o período reprodutivo. Nesta época do ano, o ambiente se torna mais favorável à reprodução desses animais, ampliando sua presença ao longo da costa. Com isso, os registros se tornam mais frequentes, especialmente em praias abertas e mais expostas às correntes.
Cuidados em caso de queimadura
Em caso de contato com águas-vivas, a orientação é lavar o local apenas com água do mar. O uso de água doce ou urina pode intensificar a ação do veneno e agravar a lesão. Recomenda-se aplicar vinagre, pois o ácido acético ajuda a neutralizar a toxina.
Se houver tentáculos aderidos à pele, não devem ser removidos com as mãos. O ideal é utilizar algum objeto, como um pedaço de plástico ou madeira, para evitar novo contato e queimaduras adicionais.
Ao avistar águas-vivas, a recomendação é sair imediatamente do mar. Levar vinagre de álcool à praia pode facilitar atendimentos rápidos. Caso a dor aumente, a vermelhidão se intensifique ou surjam sinais de reação alérgica, como dificuldade para respirar ou sintomas de choque anafilático, é fundamental procurar atendimento médico urgente.
Crianças e idosos exigem atenção redobrada, pois são mais sensíveis à toxina. A prevenção deve ser reforçada, evitando o banho de mar em locais com registros frequentes desses animais.
Saiba mais sobre a água-viva
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O que causa na pele: a água-viva libera toxinas pelos tentáculos, provocando dor, ardência, vermelhidão e inchaço, com marcas lineares semelhantes a queimaduras, segundo o Ministério da Saúde.
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Sintomas mais comuns: sensação intensa de queimação, placas avermelhadas, coceira e, em casos mais graves, bolhas ou lesões superficiais.
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Risco maior: crianças e idosos tendem a ser mais sensíveis à ação da toxina e podem apresentar reações mais intensas.
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O que não fazer: não lavar com água doce nem urina, pois isso pode aumentar a liberação do veneno.
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O que fazer: lavar o local apenas com água do mar e aplicar vinagre, que ajuda a neutralizar a toxina.
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Quando procurar ajuda: se houver piora da dor, aumento da vermelhidão, mal-estar, dificuldade para respirar ou sinais de reação alérgica, é fundamental buscar atendimento médico imediato.





