País
TCU apura irregularidades no repasse de verba para a F-1
Escrito por Vinicius Arruda em 13 de agosto de 2019
O Tribunal de Contas da União (TCU) abriu no último mês procedimento investigatório para apurar possíveis irregularidades no repasse de recursos federais para a realização do GP do Brasil de Fórmula 1, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. A verba de R$ 160 milhões, aplicada gradualmente desde 2014, tem sido utilizada para reformar o autódromo. A liberação do investimento foi para garantir a renovação do acordo entre Prefeitura, organização da corrida e o comando da categoria para garantir a realização da etapa paulistana pelo menos até 2020.
O processo no TCU corre sob segredo de Justiça e tem como relatora a vice-presidente do órgão, a ministra Ana Lúcia Arraes de Alencar. Nele, há questionamentos sobre o investimento, bancado pelo Ministério do Turismo via Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Segundo apurou o Estado, o foco recai sobre o uso de dinheiro público para reformar o autódromo municipal com o intuito de beneficiar um evento privado – o GP do Brasil.
Procurado, o TCU disse que não vai se manifestar sobre a apuração em curso. O órgão também não determinou um prazo para emitir a primeira avaliação sobre o caso. Segundo informações do sistema de busca do processo, a apuração teve início a partir de uma denúncia anônima.
A Prefeitura de São Paulo afirmou que não comentaria o processo por se tratar de um procedimento investigatório ainda em análise O Ministério do Turismo prometeu que vai contribuir com o trabalho de apuração e frisou que o repasse de verbas foi acordado em administrações passadas.
“O Ministério do Turismo está à disposição para auxiliar nas investigações iniciadas pelo TCU com o repasse de todas as informações necessárias. O processo apura denúncia de irregularidades em gestões anteriores”, disse o órgão em nota. O contrato foi assinado no fim de 2013 entre a presidente Dilma Rousseff, o ministro do Turismo Gastão Vieira e o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad.
Em contato com a reportagem, a organização do GP do Brasil afirmou que nunca recebeu recursos do governo federal para realizar a corrida. “Nunca recebemos um tostão da Prefeitura e do governo federal. A manutenção do autódromo, que tem um uso pesado o ano todo, e sua modernização são feitas pela Prefeitura”, disse Tamas Rohonyi, promotor do GP brasileiro.