Faleceu nesta segunda-feira (26), aos 91 anos, a Irmã Maria Joana Otília, religiosa que marcou gerações com sua entrega à fé e à caridade, especialmente junto aos pacientes da Santa Casa de Misericórdia de Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo. A Diocese do município confirmou a morte da freira e divulgou uma nota de pesar exaltando o legado de serviço e amor ao próximo deixado por ela.
A religiosa estava internada na Santa Casa para realização de exames e lutava contra um câncer.
Nascida Sebastiana Rodrigues Valadão, em 5 de outubro de 1933, na cidade de Oliveira (MG), Irmã Otília trilhou desde cedo um caminho de profunda espiritualidade. Filha de Francisco Machado Valadão e Ruth Rodrigues Flores, foi batizada ainda bebê, em novembro de 1933, e crismada três anos depois, na catedral de sua cidade natal. Desde a juventude, já demonstrava sinais claros de uma vocação que floresceria ao longo das décadas.
Seu ingresso na vida religiosa se deu em 1960, quando passou a integrar o Instituto das Irmãs de Jesus na Eucaristia (IJE), em Cachoeiro de Itapemirim. Após o postulantado e o noviciado em Vila Velha (ES), professou seus votos temporários em 1963 e, em 1969, entregou-se definitivamente à vida consagrada ao realizar seus votos perpétuos.
“A trajetória de Irmã Otília foi marcada por uma missão incansável junto aos mais necessitados. Atuou em diversas frentes de cuidado e acolhimento, passando por hospitais e instituições em cidades como Colatina, Oliveira, Barbacena, Araxá e Governador Valadares. Seu olhar compassivo e sua presença serena eram alívio para os que sofriam, especialmente os doentes, com quem sempre teve uma dedicação especial”, destaca a Diocese em nota.
Desde 1992, estabeleceu-se definitivamente em Cachoeiro de Itapemirim, onde tornou-se figura querida e presença constante na Santa Casa, especialmente por meio da Pastoral dos Enfermos. Também foi ativa na comunidade do Colégio Cristo Rei, onde, com simplicidade, acolhia a todos — na recepção, na cozinha ou no convívio diário. Mais do que funções, eram expressões de um amor concreto e silencioso, vivido com humildade e fé.
“Aqueles que conviveram com Irmã Otília sabem que sua vida foi uma prece silenciosa”, declarou a Diocese, que destacou também sua capacidade de enxergar Deus no rosto de cada pessoa. “Ela foi um farol de amor e esperança para os que cruzaram seu caminho”.
“Hoje, choramos sua partida. Mas não com desespero — e sim com saudade. A saudade de quem aprendeu com ela a servir com alegria, a perdoar com sinceridade, a viver com simplicidade e a confiar em Deus acima de tudo”, complementa a nota.
As informações sobre velório e sepultamento serão divulgadas em breve. A prefeitura de Cachoeiro decretou luto oficial de três dias na cidade.