Kennedy Thaumaturgo Rocha Júnior foi indiciado pelo crime de homicídio doloso duplamente qualificado, por motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima, em relação à morte do cabo da Polícia Militar Mariusom Marianelli Jacintho, de 35 anos. A conclusão do inquérito policial foi divulgada nesta quinta-feira (8) pela Polícia Civil.
O crime ocorreu no dia 26 de dezembro em um posto de combustíveis no bairro Coqueiral de Itaparica, em Vila Velha. Segundo o delegado Cleudes Júnior, adjunto da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), as investigações descartaram que a vítima tenha agido em legítima defesa.
Como ocorreu o crime
De acordo com a apuração, Kennedy possui uma loja nas proximidades do posto de combustíveis e do lava-jato local. Na data do crime, Mariusom chegou ao local acompanhado do irmão e da esposa com a intenção de lavar o para-brisa e utilizar o banheiro. Enquanto o irmão da vítima foi à loja de conveniência, Mariusom se dirigiu a um canto do lava-jato para urinar.
“Ressalta-se aqui que, de acordo com os depoimentos, em momento algum ele mostrou a genitália para qualquer pessoa. Ele estava de frente para o muro e urinou naquele local. Em razão disso, o gerente do posto chamou a atenção do Mariusom e iniciou-se ali um princípio de bate-boca” explicou o delegado.
Segundo relatos, o gerente do posto chamou a atenção do cabo, iniciando um desentendimento verbal. Posteriormente, outras pessoas presentes, incluindo Kennedy, começaram a repreender Mariusom, e a discussão se intensificou.
Nesse momento, Kennedy apoderou-se de um cano de PVC com base de concreto e desferiu os golpes contra Mariusom. O primeiro golpe foi defendido pela vítima, mas o segundo atingiu fatalmente a cabeça do cabo, provocando sangramento intenso.
“O irmão da vítima, que estava retornando do banheiro, parte para cima do agressor com o copo e acerta-o na cabeça, agindo em legítima defesa do irmão. O autor ainda continua com o cano de PVC na mão, momento em que a esposa de Mariusom pega a arma de fogo que estava no banco de trás do carro, dentro de uma bolsa, e aponta a arma no intuito de afastar aqueles agressores”, ressaltou Cleudes.
O delegado explicou que, conforme os relatos de todas as testemunhas, inclusive do próprio Kennedy, a mulher desceu do carro portando uma arma de fogo, apontou-a, mas não efetuou nenhum disparo.
“Ela já trabalhou em loja de armas e apresentou um certificado de curso básico de manuseio de pistola, demonstrando ter a destreza necessária para portar o armamento. Ela apenas se apoderou da arma institucional que estava sob a cautela da vítima, por razões de legítima defesa”, continuou.
Após a agressão, Mariusom foi levado ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu no dia 3 de janeiro.
Investigação e prisão
O delegado reforçou que não houve reação por parte da vítima, que não chegou a sacar a arma. “Sabemos que há uma tentativa de qualificar a ação de Kennedy como legítima defesa, mas o vídeo foi amplamente divulgado. Dá para ver que, em momento algum, o policial esboça qualquer tipo de reação”, finalizou o delegado.
Kennedy foi detido no dia 28 de dezembro, após se apresentar à polícia, cumprindo o mandado de prisão preventiva.





