Um policial militar foi detido após agredir a própria esposa na madrugada desta sexta-feira (9), no bairro Santa Paula, em Vila Velha. Durante a ocorrência, até o Batalhão de Missões Especiais (BME) precisou ser acionado, pois o militar se recusou a sair de casa e ficou armado no imóvel.
Segundo a polícia, a discussão entre o casal começou no fim da noite anterior, no comércio que eles possuem na região, tudo motivado por ciúmes. O desentendimento continuou já na casa da família, durante a madrugada. Além de xingar a companheira, o policial teria arremessado um aparelho celular no rosto da esposa.
Assustada, a mulher fugiu para a casa de uma vizinha, que acionou a Polícia Militar. Quando a equipe da 13ª Companhia Independente chegou ao local, encontrou a vítima do lado de fora do imóvel. Segundo os militares, o policial se recusou a conversar e se trancou dentro da casa.
Armado, o PM permaneceu no imóvel acompanhado das duas filhas do casal, uma menina de 5 anos e outra de 3. Diante da situação, classificada pela polícia como uma “crise estática”, o Batalhão de Missões Especiais foi acionado para atuar na ocorrência.
Após negociação, os policiais conseguiram conversar com o militar e as crianças foram retiradas do imóvel, sendo levadas junto com a mãe para a Delegacia Regional de Vila Velha. Mesmo assim, o policial continuou dentro da casa, armado, insistindo que não havia cometido nenhum crime.
A esposa e as filhas retornaram ao local para tentar sensibilizá-lo e só depois de mais de três horas de negociação, o militar decidiu colaborar e saiu.
O policial, que é lotado na 12ª Companhia Independente e atua em Vitória, teve a arma apreendida e foi conduzido para a delegacia.
A mulher e as crianças não ficaram feridas. A equipe de reportagem da TV SIM esteve no condomínio onde o casal mora, e moradores confirmaram a ocorrência, mas preferiram não dar entrevistas.
Demandada pela reportagem, a polícia militar ainda não enviou retorno sobre o caso.
Em nota, a Polícia Civil informou que o suspeito, de 34 anos, foi conduzido à Delegacia Regional de Vila Velha, onde foi ouvido e liberado, uma vez que a autoridade policial não identificou, naquele momento, elementos suficientes para a lavratura da prisão em flagrante.
A corporação explicou que, durante a realização dos procedimentos administrativos na unidade policial e enquanto os policiais militares eram ouvidos, a vítima deixou a delegacia sem informar o destino. Com isso, não foi possível colher seu depoimento formal, nem produzir provas mínimas da materialidade do crime, como a realização de exame de corpo de delito ou a confirmação direta das agressões relatadas.
Ainda segundo a Polícia Civil, as versões apresentadas pelo suspeito e pela vítima aos policiais militares que atenderam a ocorrência eram conflitantes. Além disso, não havia elementos objetivos, seguros e independentes que permitissem à autoridade policial, na análise inicial do flagrante, compreender com clareza a dinâmica dos fatos e identificar de forma inequívoca a autoria e a materialidade do delito.
O caso foi encaminhado à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Vila Velha, onde seguirá sob investigação.





